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quarta-feira, 10 de março de 2010

Verdades


Ela queria, naquele dia mais do que em todos, ser invisível. Não por vergonha, ou por arrependimento, não mudaria nada que fez na semana inteira, por mais estranhas e ridículas que foram, ela se sentia bem com suas escolhas. Só queria ser invisível pra que ninguém atrapalhasse a sua paz, principalmente ele.

Foi pra pracinha silenciosa que havia ali, sentou-se à sombra das árvores, tirou seu livro da bolsa e adentrou em sua paz, tudo parecia cena de filme, refrão de música, descanso depois da longa caminhada. Seu livro era especial, descrevia uma vida universal, que as vezes ela espantava-se com as semelhanças entre sua vida e a contada, mas sempre se sentia bem... então ela finalmente via que não era a única do mundo que passava por aquelas situações, que tinha aqueles medos.
Logo após terminar o capítulo sobre a coragem algo fez sombra em seu rosto e ao erguer os olhos percebeu que era ele, a última pessoa que ela queria encontrar naquele dia.
Ele sentou ao seu lado e ficou observando a vista bucólica do lugar.
- Eu preciso muito da sua ajuda - falou ele.
- Eu não posso te ajudar. Porque estou invisível.
- Pare com isso, o que tenho pra te falar é importante...preciso da sua ajuda.
- Você nunca me viu quando tentei ser visível. Hoje eu não posso te ver, não posso te ajudar. Eu estou invisível pra você.

Ela levantou-se, sua paz ainda não estava abalada, mas sabia que precisava sair dali antes que ele falasse alguma coisa que a pertubaria; ela pegou sua bolsa e livro e começou a andar pelo caminho de tijolos vermelhos já gasto pelo tempo. 
Sentiu quando ele segurou seu braço, sentiu seu hálito em seu pescoço quando ele disse:
- Mas eu te vi quando estava invisível. Isso não vale alguma coisa? Não conta nenhum ponto?
- Você não me viu, você precisou de mim. Apenas isso.
Ela desvencilhou-se e continuou a caminhar, sabia que esse seria mais um momento daquela semana que ela não se arrependeria.

Pauta para o OUAT


sábado, 24 de janeiro de 2009

Reconforto

Nessas férias já fui um agente da KGB, a polícia russa da época de Stalin, que deixa de confiar no Estado, uma alemã de 10 anos que rouba livros e odeia o Hitler, uma americana de 16 anos que se apaixona por uma vampiro e mais tarde se joga de um penhasco, uma inglesa de 30 anos que escreve no seu diário os seus problemas, e agora sou um autista brilhante que nasceu em um dia azul.
Nessas férias já conheci Moscou e Voualsk, na Rússia, Molching, na Alemanha, Forks, nos EUA, Volterra, na Itália e Londres, na Inglaterra.
Nessas férias já fui Liev Demidov, Liesel Meminger, Bella Swan, Bridget Jones e agora sou Daniel Tammet.
Eu fui todas essas pessoas, conheci todos esses lugares sem sair do meu quarto.
Essas férias começaram um tanto depressivas pra mim, mas foi nos livros que encontrei meu reconforto e posso dizer que estou bem melhor agora (: