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quinta-feira, 15 de setembro de 2011

¿Qué no daría yo por tener tu mirada?

?




Era azul, limpo, lindo. Era questinador, curioso, safado. Para completar, eram dois. Eram os tipos de olhos em que eu me afogava, perdia o ar, a cabeça, eu mesma. Pois, além de tudo, eram hipnóticos.


E, para piorar, você sabia disso, sabia do poder que tinha, e principalmente, do poder que tinha sobre mim. Você era sedutor, mas seus olhos eram ainda mais, como se fossem outro organismo. Amava você e amava seus olhos, de formas diferentes.


E você sabia disso, dizia palavras doces com seus olhos safados. E palavras safadas com seu olhar ingênuo. E assim me tinha na mão, na cama, na alma. Me tinha onde quisesse.


Meu amor por você era calmo, acolhedor, parceiro, daqueles que saem no domingo de manhã pra comer tapioca, daqueles que ligam na segunda à noite pra dizer que esqueceu um pouquinho lá em casa, mas que não importa, porque é o mesmo em nós dois.


Agora seus olhos...esses recebiam meu outro amor. Aquele insano, que te despe com o pensamento, que se entrega a qualquer momento, que persegue, grita, chora, discute, abraça, beija - ah, beija! -, e então: grita, xinga, termina, volta, se afoga. 


Seus olhos me faziam sofrer assim como você me fazia bem.


Mas, confesso, preferia o amor pelos olhos do que por você. Talvez fosse louca, ou talvez você que fosse.


Agora não existe nem a loucura dos olhos, nem a calma de você. Não me afogo mais, não me falta o ar, você não vai mais me salvar. Acabou toda a intensidade entre nós.


E, acredite, não sinto falta de você, nem do que eu era em sua companhia. Sinto falta dos seus olhos, do que eles eram pra mim e no que eles me transformavam. Com eles eu era azul, era curiosa, era safada...e por que não, sedutora?


Mas talvez você não amasse meus olhos.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Talvez nem te queira bem.


"Ela faz cinema
Ela é a tal
Sei que ela pode ser mil
Mas não existe outra igual"

Mil emoções em mil personalidades. Você nunca entenderá, sempre que olhar irá pensar "mas essa garota é uma completa confusão". A complete mess. Você nunca entenderá.

E ela nem liga pra isso, está preocupada em viver, errar, aprender com os erros, se arrepender de coisas que não deveria, fazer papel de idiota, acertar, ficar feliz com os acertos. Ela se importa com a família e com os amigos de uma maneira que nunca conseguiu se importar com o amor. Ela não sabe amar, e é com isso que se importa. Mas você? Não, ela não te nota.

Ela nota a sombra que a lua deixa na parede, enquanto senta do lado de fora de casa e escuta uma música do Chico Buarque. Sente um perfume que lhe traz uma lembrança boa, apesar de não entender a relação entre uma coisa e outra. Ela nota as coisas simples e belas, não você.

Ela está mais preocupada em notar e entender seus próprios sentimentos. Não tem tempo a perder com você, que só gostava de vê-la quando não tinha mais nada pra fazer. Talvez ela nem te queira bem, já pensou nisso? 

"Quando ela jura
Não sei por que Deus ela jura
Que tem coração"

sexta-feira, 25 de março de 2011

Sonho de valsa


De encontros e desencontros já basta eu mesma. Já basta minhas dúvidas, inseguranças e vontade de comer compulsivamente. Já basta a minha necessidade de um amor. Meus poucos momentos de sorte, minha ironia e mau humor constante. Conheço todos meus defeitos.

Quero alguém que entenda meu medo por cachorros, a perseguição das borboletas, os girassóis na parede, e que - principalmente - veja a dobra invisível do meu cabelo. Quero que para alguém meus defeitos bastem e que os dele bastem para mim.

Aquele príncipe que me compreenderá e verá qualidades em mim que ninguém mais vê, mas que veja todos meus defeitos. O príncipe (per)feito pra mim, do modo mais imperfeito possível, (imper)feito pra eu caber em seu abraço e que sua mão proteja a minha.

Quero que ele me conserte - e eu a ele - para sermos então, perfeitos. Não um para o outro, mas, juntos.

Para esse príncipe eu imploro: tire a coroa e perca toda a perfeição dos contos-de-fadas. Venha humano.

Tenho medo de sonhos bons.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Divagações sem explicações


Chuva e sol, casamento de espanhol. Sol e chuva, casamento de viuva. Canto mentalmente enquanto caminho sob a garoa bem fina e brilhante por causa do sol. Talvez a viuva esteja casando com o espanhol.

Meu óculos fica todo molhado, e começo a ver o mundo de uma forma salpicada, olhos míopes não transformam o mundo. Lembro dele dizendo que deveria usar lentes de contato - faço uma pequena nota mental: nunca usar lentes. Não me importo com a chuva, ou a vista que estou perdendo por estar com a visão embaçada, já conheço esse caminho, sei onde é seguro pisar e em quais pontos da calçada desviar.

Sem me preocupar por onde vou, pra onde vou ou por onde passo me sobra bastante espaço pra pensar em qualquer outra coisa. Estudos? Trabalho? Amor?. Nada me vem em mente e sinto a felicidade de pensar em nada. Apenas erguer o rosto pra chuva que agora cai forte e faz a roupa grudar no corpo, abrir os braços e sentir as gotas tocando em cada parte do meu corpo. Me sentir viva.

A chuva acaba. O sol continua. O que terá acontecido no casamento?

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Pedro e Ana. Ana e Pedro.


A chuva caia lentamente, como se não quisesse molhar a terra, nem seus pecadores.

Pecadores. Pecados. Pedro. Raiva.

Era essa a associação que Ana fazia enquanto a chuva caia, ela queria se molhar, transformar suas lágrimas em chuva e molhar os pecados, molhar Pedro. Mas suas mãos estavam apertando o voltante, suas unhas vermelhas apertavam a própria carne e Ana sentia raiva, sentia Pedro.

Odiava a chuva, que Pedro tanto amava, que molhava a terra dos pecadores, mas não a  molhava. Maldita chuva. Maldita raiva. Maldito Pedro.
Ele fora. Ela dissera "não vá Pedro!", e ele fora. Maldito Pecado. Chuva. Pedro. Ana. Pedro e Ana. Ana e Pedro.

Ela não sabia onde Pedro estava. Ele sabia onde Ana estava. Injusto. Pecado. Maldição.

O carro estava molhado pela chuva carregada de pecados, num cruzamento daquela imensa cidade, naquela maldita esquina. A esquina da morte. A esquina da morte de Pedro.

Ana chorava, apertava o volante e esperava um sinal. Queria tomar banho de chuva. Banho de Pedro. Talvez Pedro fosse a chuva, aquelas gotas. Talvez isso fosse um sinal. Ana fechou os olhos e viu Pedro a olhando com cara de domingo de manhã. Com olhos de domingo de manhã. Olhos sonolentos e apaixonados. Olhos Pedro. Ela abriu os olhos e saiu do carro.

Eram Ana e Pedro, Pedro e Ana novamente, dançando como num sábado a tarde. Mas se você olhasse veria somente Ana e a chuva.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Sunflowers on the wall

Um novo ano começou, 2011 com o ar carregado de surpresas e expectativa chegou para trazer mudanças. E eu fiquei sem inspiração, o que acontece sempre que estou sob pressão, ou com medo do que está por vir.
Datas “importantes” se passaram e eu quase não as notei, sinais que antes me fariam sonhar acordada, interpretei como tristes coincidências. E o futuro, tive medo de pensar nisso.
                                      
Apenas nada de interessante aconteceu para ser retratado ficcionalmente, nem tive tempo para fantasiar histórias. Esse mês eu vivi pra mim, fui egoísta sim, mas com isso tive tempo de pensar e decidir o que queria, decidir meu futuro e minhas prioridades. Posso dizer que esse pedaço do verão me tornou mais mulher. Tenho meu ponto de vista e meus objetivos, talvez não saiba como alcançá-los e provavelmente não descubra pelo caminho, mas sei que chegarei lá. Tenho certeza disso.

Inspiração? Essa chegou. Um pequeno detalhe em um livro, a personificação do amor vivido entre as personagens principais. Girassóis na parede. Um para cada momento que passaram juntos. Talvez uma informação inútil em meio a toda a história, mas com certeza o momento em que parei e percebi o amor. Aquele amor puro, sem idealizações, o amor proibido, porém inocente. O amor retratado pelos mais românticos, onde o mais importante é o menor detalhe, o amor que a pessoa que mais tenta não sentir, sente.

Esse amor é unilateral, impossível de se compartilhar, mas fácil de esconder quando a pessoa toma o cuidado de mentir, culpar o outro e demonstrar que ama menos o amor que só ela sente.

Tenho pena de saber que ele planta girassóis sozinho, em pequenos vasos, já que não estou lá para ajudá-lo a colocar as pequenas flores na parede. Estou ocupada vivendo, enquanto ele diz viver, mas apenas rega os vasos e olha pela janela do quarto secreto, onde esconde esse amor que diz não ter.

Desculpe, mas preciso de foco nesse novo ano e não posso visitar seu quarto, nem cuidar de umas flores em minha casa. Tenho minha própria parede com flores, com o amor narcisista que tenho cultivado nesses últimos três meses. E isso me ocupa todo o tempo. 

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Medo, estação e filmes de terror.


Uma caneca cheia de café, aquela blusa larga e quente da minha mãe. É assim que minha quarta-feira começa. Não faz sol, o vento é gelado e puro. Esse clima me faz bem, me faz relaxar e querer ficar sozinha. Aquela solidão boa que tanto procuro.
Adoro o final das estações, quando elas se revoltam para as pessoas perceberem que elas ainda não foram, pra avisarem que ainda não é verão.

O café está forte, quente porém não muito doce. Sento em minha sala e observo a rua. Como quero sair por aí, correndo, sentindo este vento gelado no rosto, com o cabelo voando e batendo no meu rosto. Sentir o fim de estação, dizer que sei que ainda não é verão. Mas tenho medo.

Tenho medo de sair, olhar pro céu e ver uma lua de filme de terror. E me lembrar de você, fugindo do clichê, fugindo do mundo comigo, me abraçando e dizendo que a lua está linda, como...como num filme de terror.

Tenho medo de me dar conta que ainda não te esqueci, que quando não tenho nada pra fazer pego minha caneca com café e lembro daquele dia. E me pegar rindo sozinha quando lembro do frio que senti quando te encontrei. E não era frio de fim de estação.

Tenho medo de saber que frio era esse.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

A morte.



Hoje não é um bom dia pra morrer, o sol está radiante, o céu azul e o vento, este passa constantemente. O dia está para viver. Mas esse vazio me persegue e me pergunto, quando será um bom dia? Somos nós que decidimos? E como será que morremos?


Será a Morte universal, com seu manto preto e sua foice? Não parece a roupa certa pra essa cidade, esse país. Talvez a Morte não exista, exista apenas o morrer. Criamos a imagem de uma pessoa pra esse verbo, porque não podemos morrer por palavras. Talvez cada um tenha a sua Morte, pra mim ela pode ser alta, magra, com as unhas vermelho negro. 


Talvez morrer seja relativo e não tenha melhor hora. Talvez o verdadeiro morrer seja quando você sobrevive. Quando seu coração bate forte antes do primeiro beijo, talvez essa seja a melhor hora pra morrer, quando por alguns segundos nada passa em sua mente. Daí o verbo ou a sua Morte ou a Morte universal te mata, te puxa delicadamente pelo braço, com suas unhas vermelho negro. Ou talvez bruscamente. Ou simplesmente te passe uma rasteira. Pra você conseguir se erguer, se esquivar. Se preparar pra quando não sobreviver. 


Mas de um jeito ou de outro, por imagens, pessoas, momentos ou palavras, você morre. Mais do que espera, mais do que todos dizem. Você morre pra sobreviver. Ou pra realmente morrer.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Who cares?



Aquela calça jeans velha e surrada, aquele all star sujo e rasgado, aquele moletom escuro e confortável. O cabelo preso, o esmalte descascado e o rímel borrado. O vento forte, o sol quente, a rua deserta. Raiva, ódio, solidão, saudade.


E lá estou eu, andando simplesmente por andar, só pra não ficar em casa sozinha, com meus pensamentos sombrios. Enquanto eu ando perdida pela cidade não penso, não sinto e nada vejo. Por que mesmo estava chorando? Não lembro. Memória reprimida ou motivo banal? Nunca saberei. Apenas sei que nada importa. Preciso saber seguir o meu caminho, pisando nos espinhos que ali estiverem. São lições a serem aprendidas, emoções a serem guardadas.


Volto pra casa, tomo um banho, me maqueio, visto aquele vestido novo e meu salto mais alto, ligo pras minhas amigas e combino de sair. 
Já sou outra pessoa, totalmente diferente daquela de tarde, que andava sem rumo e desarrumada. Mas isso não importa.


Afinal, ninguém se importa.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

É primavera.


O vento passa com uma pressa inintendível, jogando flores amarelas e rosas das árvores no asfalto cinza e frio. Faz calor e pássaros cantam junto com os motores dos carros. Caminho no meio disso tudo com nada em minha mente, nenhum problema, nenhum romance e nenhuma lembrança.
O inverno se foi, parecia nunca ter fim; apesar de longo, foi bom, mesmo com os problemas que me fizeram chorar no meio da noite várias vezes e de achar que estava apaixonada.

Músicas, pessoas e ideias novas invadiram meu cotidiano. Risos na frente do computador, nas madrugadas de sábado, ou até mesmo aquela discussão inútil com o meu romance de estação, que me fez pensar e xingar o mundo por uns três dias, tudo isso foi bom.
O inverno prometeu muito. Não cumpriu, mas deixou as coisas ajeitadas, tudo organizado e etiquetado. Agora chegou a primavera, não espero por nada dela, mas sinto que tudo irá mudar, pra melhor. Afinal, já está tudo encaixotado.

Afinal, é primavera.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Destino, futuro e flores


Uma praça, dois bancos de madeira, um ipê amarelo entre eles. 
Coisas que ela nunca havia reparado ao passar por ali, a pressa nunca permitira isso, porém, naquela manhã gélida de quinta-feira o destino havia feito com que o horário não importasse, assim ela seguiu seu caminho de sempre, ams, dessa vez, admirando a paisagem. E naquela praça, naquele canto canto esquecido da cidade, encantou-se pelo ipê amarelo, que o sol das 7:02 da manhã fazia brilhar e se destacar e que a brisa fria e calma transformava as flores em uma garoa de fim de tarde.

Ela, sozinha, guarda esse momento para si, não consegue pensar em ninguém que também vá admirar aquele lugar. Então esconde. E segue seu caminho de sempre. Sozinha, como sempre.

Ainda filosofando em seu silêncio percebe que não está depressiva por ser uma das únicas sozinhas em seu grupo de amigos, não está mais tão carente. Ela só quer alguém pra conversar, contar sobre seu dia, sobre o ipê amarelo. Alguém que a entenda, que perceba a magia daquela manhã. 
Mas o destino não lhe trouxe ninguém assim. Lhe trouxe apenas o ipê entre os bancos já gastos. Mas ela não fica triste, sabe que em algum momento, o destino lhe trará o Alguém com que conversar, e ela toda feliz o levará até a praça e mostrará toda a magia existente lá. 

E ele, se for a pessoa certa, dirá "mas Fer, é só uma árvore sem flores".

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Crédito da super foto para Henrique Padovan Lira

sábado, 10 de julho de 2010

Sinais, sorte e palavras.


17:17. 18:18. 20:20. E ninguém está pensando em mim.
Um, dois, três urubus. E não vou encontrar ninguém.
As portas estão todas trancadas.
Não adianta, meu trevo de quatro folhas se quebrou, o sal insiste em cair na minha mesa e gatos pretos adoram cruzar meus caminhos incertos.

Não é uma maré de azar, e sim um oceano constante, mas não nego que haja momentos de sorte, as vezes - quando o mar está calmo, o sol brilha e não há vento - momentos bons, pessoas boas chegam até mim, mas logo o vento insiste em passar e meu constante azar volta, e junto com o vento, as coisas boas se vão.

Porém já me acostumei com isso, não é algo novo, acreditem. Então não mais me importo de nunca estar feliz, de nunca estar com todos que quero, ou de querer quem não me quer. Virou rotina. Assim como prestar atenção na previsão do tempo. 
Quem sabe amanhã não haja vento e meu oceano fique calmo o dia todo?

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Crédito da super foto para Henrique Padovan Lira

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Just smoke my cigarette and run


Os prédios, a cidade e as pessoas a sufocam. Poderia dizer que ela não vive, está apenas existindo, mas é mentira, essa é a época que está mais viva, apesar dos pesares.
Caminha todo dia de manhãzinha, com o vento gelado a bater no rosto observando o chão e encontrando pelo caminho coisas sem sentido, com história, ou simplesmente lixo; todo meio do dia deita no chão e observa o céu, no lugar em que ele é mais azul, as vezes sozinha, mas a maioria das vezes acompanhada, talvez da melhor companhia que possa existir no mundo, e ela sabe disso, por isso que valoriza ainda mais os dias em que não se deita solitária ao chão; e todo final de tarde algo novo vem a seu encontro.

São esses acontecimentos não esperados, nada planejados e muito bem observados que a fazem pensar que vale a pena viver, mesmo que no final do dia saiba mais da vida de estranhos do que da de alguns amigos, ou da dela própria. Mas só a sensação de saber que aquele moço de moletom azul - que já começou a faculdade de física e matemática, mas por algum motivo foi obrigado a abandonar - ainda não desistiu, mas sim sorri e diz que ano que vem vai estudar pra passar em engenharia elétrica e dessa vez finalizar os estudos; ou de saber que aquela senhora do cachecol branco conseguiu resolver seu problema com o celular e decidiu de qual cor será seu novo apartamento a faz feliz...por algum motivo essas pessoas sentaram ao seu lado nos ônibus, e lhe contaram essa parte da vida delas, talvez ela esqueça deles no dia seguinte, talvez escreva um texto sobre eles, talvez ainda os reencontrem, um formado em engenharia elétrica, outra feliz em seu apartamento, quem sabe pensando em pintá-lo novamente?

Assim passa o dia daquela garota que nesses últimos dias tem problemas demais na cabeça e o olhar muito distante, que tem problemas com o horário e que tem medo do futuro.

A noite chega, mas ela não quer dormir, quer apenas fugir, pois tudo ainda a sufoca. Fugir de sua vida que admite ser quase perfeita... porém quem pode negar que não há outra bem melhor a sua espera? 
Talvez ela precise correr e descobrir, mas ela tem medo do futuro. Como quase todo mundo.

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Crédito da super foto de Henrique Padovan Lira

domingo, 23 de maio de 2010

Eu acredito em nós.


A neblina cobre toda a minha visão, mas o carro continua avançando e eu vou entrando nessa neblina, assim posso ver uma linda paisagem se formar em minha janela - que está fechada por causa do vento frio que passa rapidamente, assim como o carro - a montanha ao longe se mistura com as nuvens, que estão em um tom lilás acinzentado muito peculiar e único; e o Sol, este está nascendo, acrescentando um tom rosa alaranjado ao céu e às nuvens.
No acostamento da estrada eu observo o capim esbranquiçado passar rapidamente por mim - como se a Terra estivesse se movimentando, e não eu -, geou à noite, mesmo minha mãe falando que isso é impossível no Sudeste. 

Eu acredito nas coisas impossíveis, realmente acredito.

O dia está frio, sinto-o, talvez mais do que os outros, pois minhas duas blusas e poncho não estão me aquecendo o suficiente; todos estão espantados com isso, dizem não estar tão frio assim. Mas eu sei o que sinto, sobre tudo, e também sei o porquê.

O porque disso tudo. Do conhecimento da cor exata do céu, do reconhecimento da temperatura, da razão da minha playlist de reggae meloso. É ele. Foi ele que causou essa mudança em mim, com seu cabelo castanho e macio, seu olhar castanho e profundo, seu toque macio e quente, ele me tirou algo, mas também me trouxe outro. E pode parecer impossível, mas eu ainda o sinto aqui, do meu lado, me olhando de longe, me abraçando, sussurando em meu ouvido, e de alguma forma, de algum jeito estranho, eu o amo, mas não como amor.

Aceite isso que digo, pois como já falei, pode parecer impossível, mas eu também disse que acredito no impossível.

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Crédito da super foto de Henrique Padovan Lira

terça-feira, 4 de maio de 2010

O mundo para, a vida continua.


As horas passam, não em seu ritmo normal...na verdade há dois ritmos nas horas hoje, elas correm como a música que faz as paredes pulsar, porém se arrastam entre os intervalos de luz e escuridão. Sim, essas horas são eternas.

São nessas horas eternas que ela o vê pela primeira vez, ele a vê pela terceira, tudo foge de sua mente, tudo vem à mente dele. Ela nem acredita que ele está sorrindo e se aproximando, ele nem acredita que ela está finalmente sozinha e que lhe sorri. As horas param...na verdade continuam em seu ritmo confuso, mas para aqueles dois não importa, nem o lugar e nem ninguém. Só importa eles; os olhos permanecem fechados, não querem ver a realidade ao redor, e não precisam se fitar para guardar na memória, ambos sabem que o mundo é sensações, então melhor sentir do que perder tempo observando.

Ao final da eternidade, ou do instante, eles se separam. Os amigos dela o chamarão de Principe Escondido, os amigos dele a chamarão de Mais Uma; eles não se rotularão, apenas guardarão as sensações, cheiros, toques e gostos.

domingo, 4 de abril de 2010

Acredite.


Ela tirou o sapato caro de salto, sem eles era bem mais fácil correr. Levantou a barra do vestido longo, isso também facilitava. Corria sem rumo, sem nada na mente, apenas com os sapatos numa mão, a barra do vestido na outra e lágrimas caindo junto com seu rímel pelo rosto, borrando o resto da maquiagem. O penteado se desfazia enquanto o vento úmido do começo da madrugada batia em seu rosto.

Quando olhou em volta estava na praia, seus pés estavam se afundando na areia e a água refletia a luz da lua. O silêncio e a solidão a dominaram de um modo que, pela primeira vez naquele dia, a fez sentir-se bem. Começou a caminhar com os pés ora afundando na areia molhada, ora sendo lavados pelas águas salgadas e oceânicas.
Foi quando percebeu que não estava sozinha, um homem jovem caminhava ao seu lado, com o terno pendurado em um só ombro e com o nó da gravata desfeito. Ela não se importou, ele também não, continuaram caminhando, lado a lado, sem dizer uma só palavra. Ele parou e sentou-se, ela repetiu o movimento...não sabia explicar, mas algo os unia.

As horas passaram, correram ou se arrastaram, e eles se conheceram, conversaram e viram o sol nascer. 
Faziam um belo casal, os dois com roupas de festa, sem sapatos, abraçados, admirando o nascer do sol.
Ele levantou-se,a  realidade o estava chamando.
- Nunca mais vamos nos ver... - ela disse.
- Claro que vamos.
- Não vamos não, hoje a tarde estou voltando pra capital.
- Mas isso não significa nada. Não acredita na vida? Ela nos uniu, mesmo que por algumas horas. Acredite e ela nos unirá novamente.

Ele se agachou, a beijou e foi embora.
Ela ficou com o que ele disse na mente. E seu relógio no pulso.Desligou-o. Quando eles se reencontrassem ela devolveria, e nele estaria marcada a hora em que se despediram pela primeira vez.

sábado, 3 de abril de 2010

Explosão.


O cheiro da bebida não a incomodava, a música alta e sem sentido lhe fazia bem. Ninguém a reconhecia, mas ela era a mesma. Na verdade, estava sendo ela mesma depois de muito tempo fingindo ser alguém diferente, uma pessoa mais séria, mais focada, mais madura. 

Enquanto dança e bebe, sente a liberdade, sente-se feliz. Quer aproveitar a vida.

O cheiro forte da bebida não a incomoda, lhe faz bem. O abraço amigo do desconhecido não lhe dá claustrofobia, lhe faz bem, ela se sente querida. Não enganada, não iludida. Querida.

A bebida, a música, o desconhecido. Tudo lhe faz bem. Ela despertou. Finalmente.

sábado, 20 de março de 2010

Saiba disso.


Não é porque ele desvia do caminho pra te cumprimentar que ele goste você. Não é porque logo que você entra no msn ele vem conversar que ele goste de você. Não é porque ele pergunta do seu final de semana que ele goste de você. Não é porque ele te liga milhões de vezes que ele goste de você. Não é porque você o vê sorrindo ao longe em sua direção que ele goste de você. Não é porque as pessoas cochicham com ele quando você passe que ele goste de você. Não é porque ele te espera sair da escola que ele goste de você. Não é porque ele implica por causa do seu livro que ele goste de você. Não é porque ele segura sua mão, sua cintura ou seu rosto que ele goste de você.
Tudo isso só significa que você gosta dele. E repara em todas as coisas que ele faz. E vê o que não existe. 
Ele não gosta de você. Aceite isso.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Verdades


Ela queria, naquele dia mais do que em todos, ser invisível. Não por vergonha, ou por arrependimento, não mudaria nada que fez na semana inteira, por mais estranhas e ridículas que foram, ela se sentia bem com suas escolhas. Só queria ser invisível pra que ninguém atrapalhasse a sua paz, principalmente ele.

Foi pra pracinha silenciosa que havia ali, sentou-se à sombra das árvores, tirou seu livro da bolsa e adentrou em sua paz, tudo parecia cena de filme, refrão de música, descanso depois da longa caminhada. Seu livro era especial, descrevia uma vida universal, que as vezes ela espantava-se com as semelhanças entre sua vida e a contada, mas sempre se sentia bem... então ela finalmente via que não era a única do mundo que passava por aquelas situações, que tinha aqueles medos.
Logo após terminar o capítulo sobre a coragem algo fez sombra em seu rosto e ao erguer os olhos percebeu que era ele, a última pessoa que ela queria encontrar naquele dia.
Ele sentou ao seu lado e ficou observando a vista bucólica do lugar.
- Eu preciso muito da sua ajuda - falou ele.
- Eu não posso te ajudar. Porque estou invisível.
- Pare com isso, o que tenho pra te falar é importante...preciso da sua ajuda.
- Você nunca me viu quando tentei ser visível. Hoje eu não posso te ver, não posso te ajudar. Eu estou invisível pra você.

Ela levantou-se, sua paz ainda não estava abalada, mas sabia que precisava sair dali antes que ele falasse alguma coisa que a pertubaria; ela pegou sua bolsa e livro e começou a andar pelo caminho de tijolos vermelhos já gasto pelo tempo. 
Sentiu quando ele segurou seu braço, sentiu seu hálito em seu pescoço quando ele disse:
- Mas eu te vi quando estava invisível. Isso não vale alguma coisa? Não conta nenhum ponto?
- Você não me viu, você precisou de mim. Apenas isso.
Ela desvencilhou-se e continuou a caminhar, sabia que esse seria mais um momento daquela semana que ela não se arrependeria.

Pauta para o OUAT


domingo, 7 de março de 2010

Mas nem por isso ser sua.

E não importa o quanto me falam que você tem cara de quem não presta, que não parece ser simpático e tem tudo pra ser egoísta.
Você provou o contrário pra mim. E, hoje, é a pessoa mais humana em quem posso pensar. Eu fiz o que precisava fazer, mas você fez o que era certo.

Boa sorte, pra você e pra mim.