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segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Helena


Corria a casa com um sorriso no rosto, com seus passinhos inseguros e rápidos. Ah! Como se divertia em andar por entre as pessoas e vê-las tão grandes à observá-la.

Felicidade é algo tão simples né? Nós que a superestimamos, mas podemos encontrá-la em qualquer lugar. Helena, por exemplo estava feliz por estar acordada até as 10 da noite. Não que ela soubesse que horas eram.
Buscamos a felicidade na satisfação pessoal, profissional e em qualquer outro quesito que considerarmos básico. Precisamos disso tudo mesmo?

Você pode não acreditar, mas tomar um grande sorvete de chocolate e sujar todo seu rosto é a felicidade mais pura que existe, mesmo que sua mãe brigue porque sujou toda a roupa de marinheira que estava usando...Helena bem sabe disso. E sabe o que ela fez? Riu. Simplesmente.

E todos ao seu redor riram também. Ela olhou pra todos com um brilho inocente no olhar e bateu palmas. Parabéns pra você.

Helena continuou a tomar o sorvete. Os outros ficaram ocupados em julgar o momento.

Os otimistas viram que ela teria uma vida inteira pela frente, pra fazer tudo que a fizesse feliz. Os pessimistas viram que ela cresceria num mundo muito pior do que o de hoje. Os realistas apenas viram a beleza de uma criança inocente, que ainda não havia sido corrompida pela maldade do mundo, tomando sorvete e rindo pra todo mundo, às 10 da noite de um domingo.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

¿Qué no daría yo por tener tu mirada?

?




Era azul, limpo, lindo. Era questinador, curioso, safado. Para completar, eram dois. Eram os tipos de olhos em que eu me afogava, perdia o ar, a cabeça, eu mesma. Pois, além de tudo, eram hipnóticos.


E, para piorar, você sabia disso, sabia do poder que tinha, e principalmente, do poder que tinha sobre mim. Você era sedutor, mas seus olhos eram ainda mais, como se fossem outro organismo. Amava você e amava seus olhos, de formas diferentes.


E você sabia disso, dizia palavras doces com seus olhos safados. E palavras safadas com seu olhar ingênuo. E assim me tinha na mão, na cama, na alma. Me tinha onde quisesse.


Meu amor por você era calmo, acolhedor, parceiro, daqueles que saem no domingo de manhã pra comer tapioca, daqueles que ligam na segunda à noite pra dizer que esqueceu um pouquinho lá em casa, mas que não importa, porque é o mesmo em nós dois.


Agora seus olhos...esses recebiam meu outro amor. Aquele insano, que te despe com o pensamento, que se entrega a qualquer momento, que persegue, grita, chora, discute, abraça, beija - ah, beija! -, e então: grita, xinga, termina, volta, se afoga. 


Seus olhos me faziam sofrer assim como você me fazia bem.


Mas, confesso, preferia o amor pelos olhos do que por você. Talvez fosse louca, ou talvez você que fosse.


Agora não existe nem a loucura dos olhos, nem a calma de você. Não me afogo mais, não me falta o ar, você não vai mais me salvar. Acabou toda a intensidade entre nós.


E, acredite, não sinto falta de você, nem do que eu era em sua companhia. Sinto falta dos seus olhos, do que eles eram pra mim e no que eles me transformavam. Com eles eu era azul, era curiosa, era safada...e por que não, sedutora?


Mas talvez você não amasse meus olhos.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Faça o que eu te peço.



E doí. É como se uma faca fosse entrando lentamente dentro do meu peito e então você - o torturador - a girasse, por dentro de mim, com um sorriso malicioso, dizendo estar triturando meu coração. 


Coração? Esse a muito só bombeia o sangue mesmo. Minha mente tenta enganá-lo dizendo que está apaixonada. Sou o oposto, sou o contrário.


Minha mente que engana o coração.


Coloque a faca em minha mente, triture meu cerébro, tire todas as lembranças, todas as dúvidas. Me tire de mim. Meus problemas, minhas dúvidas, minhas tristezas, arranque-as todas. Não seja um torturador, seja meu salvador. 


E então leve meu coração inteiro, coloque numa caixa e diga: "As ultimas batidas desse coração foram pra mim, foram de gratidão. Eu fui amado". Não será digno de pena você apenas ter sido amado por aquela que você assassinou. O amor tem várias formas de aparecer. 


Tantas formas que eu deixei de acreditar em todas. 


Coloque a faca em minha mente. Me deixe ir embora desse mundo. Tem alguém muito especial pra cuidar de mim do outro lado, não se preocupe. Não guardarei ódio de você, apenas amor em forma de gratidão.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Talvez nem te queira bem.


"Ela faz cinema
Ela é a tal
Sei que ela pode ser mil
Mas não existe outra igual"

Mil emoções em mil personalidades. Você nunca entenderá, sempre que olhar irá pensar "mas essa garota é uma completa confusão". A complete mess. Você nunca entenderá.

E ela nem liga pra isso, está preocupada em viver, errar, aprender com os erros, se arrepender de coisas que não deveria, fazer papel de idiota, acertar, ficar feliz com os acertos. Ela se importa com a família e com os amigos de uma maneira que nunca conseguiu se importar com o amor. Ela não sabe amar, e é com isso que se importa. Mas você? Não, ela não te nota.

Ela nota a sombra que a lua deixa na parede, enquanto senta do lado de fora de casa e escuta uma música do Chico Buarque. Sente um perfume que lhe traz uma lembrança boa, apesar de não entender a relação entre uma coisa e outra. Ela nota as coisas simples e belas, não você.

Ela está mais preocupada em notar e entender seus próprios sentimentos. Não tem tempo a perder com você, que só gostava de vê-la quando não tinha mais nada pra fazer. Talvez ela nem te queira bem, já pensou nisso? 

"Quando ela jura
Não sei por que Deus ela jura
Que tem coração"

sexta-feira, 25 de março de 2011

Sonho de valsa


De encontros e desencontros já basta eu mesma. Já basta minhas dúvidas, inseguranças e vontade de comer compulsivamente. Já basta a minha necessidade de um amor. Meus poucos momentos de sorte, minha ironia e mau humor constante. Conheço todos meus defeitos.

Quero alguém que entenda meu medo por cachorros, a perseguição das borboletas, os girassóis na parede, e que - principalmente - veja a dobra invisível do meu cabelo. Quero que para alguém meus defeitos bastem e que os dele bastem para mim.

Aquele príncipe que me compreenderá e verá qualidades em mim que ninguém mais vê, mas que veja todos meus defeitos. O príncipe (per)feito pra mim, do modo mais imperfeito possível, (imper)feito pra eu caber em seu abraço e que sua mão proteja a minha.

Quero que ele me conserte - e eu a ele - para sermos então, perfeitos. Não um para o outro, mas, juntos.

Para esse príncipe eu imploro: tire a coroa e perca toda a perfeição dos contos-de-fadas. Venha humano.

Tenho medo de sonhos bons.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Divagações sem explicações


Chuva e sol, casamento de espanhol. Sol e chuva, casamento de viuva. Canto mentalmente enquanto caminho sob a garoa bem fina e brilhante por causa do sol. Talvez a viuva esteja casando com o espanhol.

Meu óculos fica todo molhado, e começo a ver o mundo de uma forma salpicada, olhos míopes não transformam o mundo. Lembro dele dizendo que deveria usar lentes de contato - faço uma pequena nota mental: nunca usar lentes. Não me importo com a chuva, ou a vista que estou perdendo por estar com a visão embaçada, já conheço esse caminho, sei onde é seguro pisar e em quais pontos da calçada desviar.

Sem me preocupar por onde vou, pra onde vou ou por onde passo me sobra bastante espaço pra pensar em qualquer outra coisa. Estudos? Trabalho? Amor?. Nada me vem em mente e sinto a felicidade de pensar em nada. Apenas erguer o rosto pra chuva que agora cai forte e faz a roupa grudar no corpo, abrir os braços e sentir as gotas tocando em cada parte do meu corpo. Me sentir viva.

A chuva acaba. O sol continua. O que terá acontecido no casamento?

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Pedro e Ana. Ana e Pedro.


A chuva caia lentamente, como se não quisesse molhar a terra, nem seus pecadores.

Pecadores. Pecados. Pedro. Raiva.

Era essa a associação que Ana fazia enquanto a chuva caia, ela queria se molhar, transformar suas lágrimas em chuva e molhar os pecados, molhar Pedro. Mas suas mãos estavam apertando o voltante, suas unhas vermelhas apertavam a própria carne e Ana sentia raiva, sentia Pedro.

Odiava a chuva, que Pedro tanto amava, que molhava a terra dos pecadores, mas não a  molhava. Maldita chuva. Maldita raiva. Maldito Pedro.
Ele fora. Ela dissera "não vá Pedro!", e ele fora. Maldito Pecado. Chuva. Pedro. Ana. Pedro e Ana. Ana e Pedro.

Ela não sabia onde Pedro estava. Ele sabia onde Ana estava. Injusto. Pecado. Maldição.

O carro estava molhado pela chuva carregada de pecados, num cruzamento daquela imensa cidade, naquela maldita esquina. A esquina da morte. A esquina da morte de Pedro.

Ana chorava, apertava o volante e esperava um sinal. Queria tomar banho de chuva. Banho de Pedro. Talvez Pedro fosse a chuva, aquelas gotas. Talvez isso fosse um sinal. Ana fechou os olhos e viu Pedro a olhando com cara de domingo de manhã. Com olhos de domingo de manhã. Olhos sonolentos e apaixonados. Olhos Pedro. Ela abriu os olhos e saiu do carro.

Eram Ana e Pedro, Pedro e Ana novamente, dançando como num sábado a tarde. Mas se você olhasse veria somente Ana e a chuva.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Medo, estação e filmes de terror.


Uma caneca cheia de café, aquela blusa larga e quente da minha mãe. É assim que minha quarta-feira começa. Não faz sol, o vento é gelado e puro. Esse clima me faz bem, me faz relaxar e querer ficar sozinha. Aquela solidão boa que tanto procuro.
Adoro o final das estações, quando elas se revoltam para as pessoas perceberem que elas ainda não foram, pra avisarem que ainda não é verão.

O café está forte, quente porém não muito doce. Sento em minha sala e observo a rua. Como quero sair por aí, correndo, sentindo este vento gelado no rosto, com o cabelo voando e batendo no meu rosto. Sentir o fim de estação, dizer que sei que ainda não é verão. Mas tenho medo.

Tenho medo de sair, olhar pro céu e ver uma lua de filme de terror. E me lembrar de você, fugindo do clichê, fugindo do mundo comigo, me abraçando e dizendo que a lua está linda, como...como num filme de terror.

Tenho medo de me dar conta que ainda não te esqueci, que quando não tenho nada pra fazer pego minha caneca com café e lembro daquele dia. E me pegar rindo sozinha quando lembro do frio que senti quando te encontrei. E não era frio de fim de estação.

Tenho medo de saber que frio era esse.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

A morte.



Hoje não é um bom dia pra morrer, o sol está radiante, o céu azul e o vento, este passa constantemente. O dia está para viver. Mas esse vazio me persegue e me pergunto, quando será um bom dia? Somos nós que decidimos? E como será que morremos?


Será a Morte universal, com seu manto preto e sua foice? Não parece a roupa certa pra essa cidade, esse país. Talvez a Morte não exista, exista apenas o morrer. Criamos a imagem de uma pessoa pra esse verbo, porque não podemos morrer por palavras. Talvez cada um tenha a sua Morte, pra mim ela pode ser alta, magra, com as unhas vermelho negro. 


Talvez morrer seja relativo e não tenha melhor hora. Talvez o verdadeiro morrer seja quando você sobrevive. Quando seu coração bate forte antes do primeiro beijo, talvez essa seja a melhor hora pra morrer, quando por alguns segundos nada passa em sua mente. Daí o verbo ou a sua Morte ou a Morte universal te mata, te puxa delicadamente pelo braço, com suas unhas vermelho negro. Ou talvez bruscamente. Ou simplesmente te passe uma rasteira. Pra você conseguir se erguer, se esquivar. Se preparar pra quando não sobreviver. 


Mas de um jeito ou de outro, por imagens, pessoas, momentos ou palavras, você morre. Mais do que espera, mais do que todos dizem. Você morre pra sobreviver. Ou pra realmente morrer.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

É primavera.


O vento passa com uma pressa inintendível, jogando flores amarelas e rosas das árvores no asfalto cinza e frio. Faz calor e pássaros cantam junto com os motores dos carros. Caminho no meio disso tudo com nada em minha mente, nenhum problema, nenhum romance e nenhuma lembrança.
O inverno se foi, parecia nunca ter fim; apesar de longo, foi bom, mesmo com os problemas que me fizeram chorar no meio da noite várias vezes e de achar que estava apaixonada.

Músicas, pessoas e ideias novas invadiram meu cotidiano. Risos na frente do computador, nas madrugadas de sábado, ou até mesmo aquela discussão inútil com o meu romance de estação, que me fez pensar e xingar o mundo por uns três dias, tudo isso foi bom.
O inverno prometeu muito. Não cumpriu, mas deixou as coisas ajeitadas, tudo organizado e etiquetado. Agora chegou a primavera, não espero por nada dela, mas sinto que tudo irá mudar, pra melhor. Afinal, já está tudo encaixotado.

Afinal, é primavera.

sábado, 4 de setembro de 2010

Far away


O dia passa, sem vento, nem frio nem calor, nem bom nem ruim, apenas passa; e eu passo por ele com o pensamento longe, quilômetros - talvez anos-luz - de onde realmente estou; mas faço isso apenas porque não consigo entender o que acontece a minha volta, ao meu alcance. Mais nada faz sentido pra mim.

Aquela amiga que brincava de elástico comigo na 3° série agora está ocupada em casa, cuidando da filha que chora no meio da noite; aquela professora que me ajudava nos exercícios complexos de português na 7° série, agora descansa em paz; aquela minha melhor amiga da 1° série passa do meu lado todo dia e não me reconhece. E isso é apenas o passado voltando.

Não entendo como a lembrança daquele abraço - o melhor presente de 15 anos que eu poderia receber - voltou e me fez sentir uma saudade monstruosa daqueles braços e perfume em mim; como pólos vermelhas me deixam com uma sensação estranha; como ver casais brigando me deixa feliz.

E assim, desse jeito distante e menos confuso do que poderia ser, eu vou passando pelos dias, que passam lentamente, e que mudam minha visão, opinião e sentimentos. Mas ainda não sei se isso é bom ou não, estou um pouco longe pra avaliar o tamanho do estrago que isso está causando.

Quando eu reunir coragem suficiente eu volto, faço uma avaliação, vejo os estragos, pago as contas e volto a viver por aqui.

sábado, 21 de agosto de 2010

A estrada.


O carro avança pela estrada escura e vazia, 110 km/h, um pouco mais rápido que as batidas do meu coração. As placas indicam o melhor caminho até você. Não sei se até seu coração, isso os sinais luminosos não contam. Mas eu acredito que sim.

A próxima entrada é pra sua cidade, o carro continua em alta velocidade, agora meu coração bate na mesma velocidade - senão mais rápido -, fecho os olhos e espero o barulho da seta pra direita. o barulho que me levará até você. Não o ouço. O carro continua avançando. Abro os olhos. Vejo a bifurcação da estrada, a direita me leva pra sua casa, reto pra uma cidade que ninguém quer conhecer, muito menos você. O carro continua avançando. Pra longe de você. 

Não quero pensar, mas você me vem a mente, meu coração desacelera, apesar do turbilhão de pensamentos de quase seguir na mesma direção que você. Talvez seja esse nosso destino. Ou talvez, exista um cruzamento lá na frente.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Destino, futuro e flores


Uma praça, dois bancos de madeira, um ipê amarelo entre eles. 
Coisas que ela nunca havia reparado ao passar por ali, a pressa nunca permitira isso, porém, naquela manhã gélida de quinta-feira o destino havia feito com que o horário não importasse, assim ela seguiu seu caminho de sempre, ams, dessa vez, admirando a paisagem. E naquela praça, naquele canto canto esquecido da cidade, encantou-se pelo ipê amarelo, que o sol das 7:02 da manhã fazia brilhar e se destacar e que a brisa fria e calma transformava as flores em uma garoa de fim de tarde.

Ela, sozinha, guarda esse momento para si, não consegue pensar em ninguém que também vá admirar aquele lugar. Então esconde. E segue seu caminho de sempre. Sozinha, como sempre.

Ainda filosofando em seu silêncio percebe que não está depressiva por ser uma das únicas sozinhas em seu grupo de amigos, não está mais tão carente. Ela só quer alguém pra conversar, contar sobre seu dia, sobre o ipê amarelo. Alguém que a entenda, que perceba a magia daquela manhã. 
Mas o destino não lhe trouxe ninguém assim. Lhe trouxe apenas o ipê entre os bancos já gastos. Mas ela não fica triste, sabe que em algum momento, o destino lhe trará o Alguém com que conversar, e ela toda feliz o levará até a praça e mostrará toda a magia existente lá. 

E ele, se for a pessoa certa, dirá "mas Fer, é só uma árvore sem flores".

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Crédito da super foto para Henrique Padovan Lira

sábado, 24 de julho de 2010

Confusão.



"Mais um dia", é só isso que ela consegue pensar logo que se levanta. Não é algo encorajador, muito menos positivo, é apenas sua realidade. Ontem foi dormir jurando não pensar nele, jurando ser apenas uma obsessão momentanêa, que iria passar quando o sol surgisse novamente; apesar de acreditar nisso, só tinha a certeza de que o sol surgiria no outro dia, do mesmo jeito que antes... quanto a lembrança constante dele em sua vida, não tinha tanta certeza.

O dia passa e junto com ele pequenos detalhes que as vezes só ela percebe, pequenas frases ou observações feitas por seus amigos, trazem ele à sua mente, com seu jeito estranho de ser, sua vida social e seus comentários estimulantes; e uma vez que pensa nisso, não consegue mais parar, e pouco a pouco, ao lembrar de seus momentos juntos e suas conversas, ela se apaixona novamente por ele, ou pela ideia deles juntos.

"Não estou apaixonada por ele. Não posso estar" é só isso que consegue pensar, mas logo percebe que não sabe como é se apaixonar e um medo a invade, o medo de que não perceba quando isso acontecer, e sofra...mais do que já sofre. Apesar de não sofrer. 

Nada nela faz sentido, ela é um imenso ponto de interrogação, nem mesmo consegue se entender, então se cala, sofre em silêncio, por que tudo isso é confuso demais pra ser explicado, pra procurar ajuda.

Quando a noite chega jura que ele não passa de uma obsessão, uma invenção de sua cabeça talvez e espera que no outro dia não se apaixone novamente. Mas o sol, ela tem certeza que irá nascer amanhã. É por isso que dorme menos triste.

sábado, 10 de julho de 2010

Sinais, sorte e palavras.


17:17. 18:18. 20:20. E ninguém está pensando em mim.
Um, dois, três urubus. E não vou encontrar ninguém.
As portas estão todas trancadas.
Não adianta, meu trevo de quatro folhas se quebrou, o sal insiste em cair na minha mesa e gatos pretos adoram cruzar meus caminhos incertos.

Não é uma maré de azar, e sim um oceano constante, mas não nego que haja momentos de sorte, as vezes - quando o mar está calmo, o sol brilha e não há vento - momentos bons, pessoas boas chegam até mim, mas logo o vento insiste em passar e meu constante azar volta, e junto com o vento, as coisas boas se vão.

Porém já me acostumei com isso, não é algo novo, acreditem. Então não mais me importo de nunca estar feliz, de nunca estar com todos que quero, ou de querer quem não me quer. Virou rotina. Assim como prestar atenção na previsão do tempo. 
Quem sabe amanhã não haja vento e meu oceano fique calmo o dia todo?

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Crédito da super foto para Henrique Padovan Lira

sábado, 19 de junho de 2010

A roda da vida.


Ela tenta ser algo a mais, fazer algo fora do comum, já que a acusaram de sempre escrever sobre a rotina. Mas algo a bloqueia e a faz olhar pro horizonte, sem pensar nem ver nada.

Ela passa o dia de modo estranho, seu humor intercala entre muita felicidade, raiva, tristeza, melancolia e nada. A cada oportunidade que tem corre pro sol, mesmo que não esteja frio - como não está -, senta-se e espera a hora que tem que levantar, quase sempre com sua amiga ao lado, pra deitar no colo e admirar o céu mais azul que existe, esperando respostas.

Num desses momentos melancólicos ela percebe o que a bloqueia, o que a faz calar e olhar pra longe...ela tem medo, medo de que o que escreva não vire realidade, medo de expressar tudo o que tem guardado e quando isso deixar de ser somente dela, se perca no céu azul perfeito e ela fique sem sonhos, sem realidades, sem segredos.

E assim as pessoas não sabem o que sente de verdade, pois seus sentimentos quando expressos são confusos e misturados.
E mesmo não sabendo também o que sente, sabe tudo o que pensa, e lembra-se com perfeição da carta do tarô sendo virada por seu melhor amigo, e da voz confortável e segura dele ler a promessa da carta, de que todo esse ciclo terá começo, meio e fim. Pois, afinal, tudo está na roda da vida. 

A carta está na vida dela, e ela está na carta. Não se sabe quem entrou na vida de quem primeiro, mas essa promessa, essa carta, traz segurança pra pequena princesa, aquela que ainda mantem a realeza, os livros, a matemática e os sonhos de um príncipe perfeito, pra ela.

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Crédito da super foto para Henrique Padovan Lira

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Just smoke my cigarette and run


Os prédios, a cidade e as pessoas a sufocam. Poderia dizer que ela não vive, está apenas existindo, mas é mentira, essa é a época que está mais viva, apesar dos pesares.
Caminha todo dia de manhãzinha, com o vento gelado a bater no rosto observando o chão e encontrando pelo caminho coisas sem sentido, com história, ou simplesmente lixo; todo meio do dia deita no chão e observa o céu, no lugar em que ele é mais azul, as vezes sozinha, mas a maioria das vezes acompanhada, talvez da melhor companhia que possa existir no mundo, e ela sabe disso, por isso que valoriza ainda mais os dias em que não se deita solitária ao chão; e todo final de tarde algo novo vem a seu encontro.

São esses acontecimentos não esperados, nada planejados e muito bem observados que a fazem pensar que vale a pena viver, mesmo que no final do dia saiba mais da vida de estranhos do que da de alguns amigos, ou da dela própria. Mas só a sensação de saber que aquele moço de moletom azul - que já começou a faculdade de física e matemática, mas por algum motivo foi obrigado a abandonar - ainda não desistiu, mas sim sorri e diz que ano que vem vai estudar pra passar em engenharia elétrica e dessa vez finalizar os estudos; ou de saber que aquela senhora do cachecol branco conseguiu resolver seu problema com o celular e decidiu de qual cor será seu novo apartamento a faz feliz...por algum motivo essas pessoas sentaram ao seu lado nos ônibus, e lhe contaram essa parte da vida delas, talvez ela esqueça deles no dia seguinte, talvez escreva um texto sobre eles, talvez ainda os reencontrem, um formado em engenharia elétrica, outra feliz em seu apartamento, quem sabe pensando em pintá-lo novamente?

Assim passa o dia daquela garota que nesses últimos dias tem problemas demais na cabeça e o olhar muito distante, que tem problemas com o horário e que tem medo do futuro.

A noite chega, mas ela não quer dormir, quer apenas fugir, pois tudo ainda a sufoca. Fugir de sua vida que admite ser quase perfeita... porém quem pode negar que não há outra bem melhor a sua espera? 
Talvez ela precise correr e descobrir, mas ela tem medo do futuro. Como quase todo mundo.

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Crédito da super foto de Henrique Padovan Lira

domingo, 30 de maio de 2010

Cartas, amor e chá.


"Guardo pra te dar
as cartas que eu não mando
Conto por contar
E deixo em algum canto"

Era apenas mais um dia frio de Junho, uma tarde silenciosa no pequeno apartamento do nono andar, Amélia estava sentada um sua poltrona favorita, apenas apreciando sua vista, quando ouviu um barulho no corredor e viu cartas entrarem por baixo de sua porta, levantou-se apenas pra tira-las do chão, sabia que eram apenas contas e anúncios, mas se surpreendeu ao encontrar um pacote pardo grosso, sem remetente. Voltou para sua poltrona e abriu-o, dentro haviam cartas, muitas delas, umas endereçadas à sua antiga casa, quando ainda era solteira e outras pro apartamento que comprou depois que enviuvou. Se assustou quando viu que o remetente destas era Jorge, seu primeiro namorado, aquele que fugira quando o pai dela o mandou pedi-la em casamento; junto das cartas havia um bilhete cor-de-rosa, escrito numa caligrafia feminina, Amélia leu-o primeiro.

"Amélia, sei que não nos conhecemos, mas sei de sua história, meu avô vivia contando-a pra mim. Chamo-me Juliana e sou neta de Jorge, sinto-lhe informar que ele morreu há duas semanas e ele me pediu pra lhe entregar as cartas que ele sempre escreveu pra senhora, mas nunca teve coragem de mandá-las. Desculpe se a importuno, só estou atendendo o último pedido de meu avô."

Ela respirou fundo e abriu a primeira carta, fora escrita um dia depois dele ter fugido, ele se culpava pela covardia que tivera, mas que não podia mais voltar, pois a magoara muito e não acreditava que ela o aceitaria de volta. "que tolo, eu o aceitaria sob qualquer circunstância"; as que se seguiram contava o dia a dia dele, as cartas tinham uma frequencia de mês pra mês, nos meses ruins havia mais de uma. Os anos foram se passando, nas cartas e na mente de Amélia, percebeu que ele esteve presente em sua vida o tempo todo, de longe.
O relógio marcou 21:21, ela abriu a última carta, nessa última ele se despedia.

"Querida Amélia,
                              Essa talvez seja a última carta que eu lhe escreva, pois meus filhos estão pra chegar e me levar pro hospital, sim, hospital. Tenho escondido de você nas últimas cartas, mas estou com câncer. Estava até pouco tempo controlando-o com remédios, mas deve saber como essa doença é, ela sempre encontra um jeito de continuar te envenenando e agora preciso fazer quimioterapia. Porém não se preocupe, não tenho medo...
                              Minto minha querida, eu tenho medo...pois o médico disse que posso perder a memória, e tenho medo disso realmente acontecer e eu te esquecer, esquecer das nossas tardes juntos na praça do seu bairro, dos jantares com a sua família. Fui um idiota por te abandonar, um idiota por escrever cartas que nunca mando, e agora a doença me atinge e o medo me domina. Mas já tomei uma decisão, lhe enviarei essas cartas, assim que sair daquele hospital; melhor, lhe entregarei pessoalmente. E assim, finalmente, poderei te rever e dizer o quanto fui tolo.

                                                                                                           Te amo minha querida, Jorge."

Ela terminou de ler a carta, seu coração martelou uma vez, duro, espremendo duas lágrimas quentes de seus olhos... não podia acreditar que ele a amara durante todos aqueles anos, se sua memória não falhava passara 52 anos desde a fuga dele.
Ambos construiram uma vida, uma família, tiveram seus problemas e suas felicidades, mas nunca se esqueceram um do outro.
Ela imaginou como sua vida poderia ter sido diferente se ele houvesse enviado a primeira carta, não conseguiu, sua cabeça doia por causa do choro conpulsivo. Levantou-se e foi pra cozinha, preparou um chá e voltou pra sua poltrona, olhando pra sua sacada o mundo parecia diferente agora, parecia que anos haviam transcorrido desde a hora que o carteiro passara.

Levantou-se e foi pra sacada, o vento estava forte e frio, mas ela não se importou, tomou um gole de chá e sussurou pra escuridão da cidade, pra lua cheia e pro vento apressado palavras tardias.

"Eu te amo, sempre te amei também."

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Crédito da super foto de Henrique Padovan Lira

domingo, 23 de maio de 2010

Eu acredito em nós.


A neblina cobre toda a minha visão, mas o carro continua avançando e eu vou entrando nessa neblina, assim posso ver uma linda paisagem se formar em minha janela - que está fechada por causa do vento frio que passa rapidamente, assim como o carro - a montanha ao longe se mistura com as nuvens, que estão em um tom lilás acinzentado muito peculiar e único; e o Sol, este está nascendo, acrescentando um tom rosa alaranjado ao céu e às nuvens.
No acostamento da estrada eu observo o capim esbranquiçado passar rapidamente por mim - como se a Terra estivesse se movimentando, e não eu -, geou à noite, mesmo minha mãe falando que isso é impossível no Sudeste. 

Eu acredito nas coisas impossíveis, realmente acredito.

O dia está frio, sinto-o, talvez mais do que os outros, pois minhas duas blusas e poncho não estão me aquecendo o suficiente; todos estão espantados com isso, dizem não estar tão frio assim. Mas eu sei o que sinto, sobre tudo, e também sei o porquê.

O porque disso tudo. Do conhecimento da cor exata do céu, do reconhecimento da temperatura, da razão da minha playlist de reggae meloso. É ele. Foi ele que causou essa mudança em mim, com seu cabelo castanho e macio, seu olhar castanho e profundo, seu toque macio e quente, ele me tirou algo, mas também me trouxe outro. E pode parecer impossível, mas eu ainda o sinto aqui, do meu lado, me olhando de longe, me abraçando, sussurando em meu ouvido, e de alguma forma, de algum jeito estranho, eu o amo, mas não como amor.

Aceite isso que digo, pois como já falei, pode parecer impossível, mas eu também disse que acredito no impossível.

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Crédito da super foto de Henrique Padovan Lira

terça-feira, 4 de maio de 2010

O mundo para, a vida continua.


As horas passam, não em seu ritmo normal...na verdade há dois ritmos nas horas hoje, elas correm como a música que faz as paredes pulsar, porém se arrastam entre os intervalos de luz e escuridão. Sim, essas horas são eternas.

São nessas horas eternas que ela o vê pela primeira vez, ele a vê pela terceira, tudo foge de sua mente, tudo vem à mente dele. Ela nem acredita que ele está sorrindo e se aproximando, ele nem acredita que ela está finalmente sozinha e que lhe sorri. As horas param...na verdade continuam em seu ritmo confuso, mas para aqueles dois não importa, nem o lugar e nem ninguém. Só importa eles; os olhos permanecem fechados, não querem ver a realidade ao redor, e não precisam se fitar para guardar na memória, ambos sabem que o mundo é sensações, então melhor sentir do que perder tempo observando.

Ao final da eternidade, ou do instante, eles se separam. Os amigos dela o chamarão de Principe Escondido, os amigos dele a chamarão de Mais Uma; eles não se rotularão, apenas guardarão as sensações, cheiros, toques e gostos.