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segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Helena
Corria a casa com um sorriso no rosto, com seus passinhos inseguros e rápidos. Ah! Como se divertia em andar por entre as pessoas e vê-las tão grandes à observá-la.
Felicidade é algo tão simples né? Nós que a superestimamos, mas podemos encontrá-la em qualquer lugar. Helena, por exemplo estava feliz por estar acordada até as 10 da noite. Não que ela soubesse que horas eram.
Buscamos a felicidade na satisfação pessoal, profissional e em qualquer outro quesito que considerarmos básico. Precisamos disso tudo mesmo?
Você pode não acreditar, mas tomar um grande sorvete de chocolate e sujar todo seu rosto é a felicidade mais pura que existe, mesmo que sua mãe brigue porque sujou toda a roupa de marinheira que estava usando...Helena bem sabe disso. E sabe o que ela fez? Riu. Simplesmente.
E todos ao seu redor riram também. Ela olhou pra todos com um brilho inocente no olhar e bateu palmas. Parabéns pra você.
Helena continuou a tomar o sorvete. Os outros ficaram ocupados em julgar o momento.
Os otimistas viram que ela teria uma vida inteira pela frente, pra fazer tudo que a fizesse feliz. Os pessimistas viram que ela cresceria num mundo muito pior do que o de hoje. Os realistas apenas viram a beleza de uma criança inocente, que ainda não havia sido corrompida pela maldade do mundo, tomando sorvete e rindo pra todo mundo, às 10 da noite de um domingo.
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quinta-feira, 8 de setembro de 2011
Faça o que eu te peço.
E doí. É como se uma faca fosse entrando lentamente dentro do meu peito e então você - o torturador - a girasse, por dentro de mim, com um sorriso malicioso, dizendo estar triturando meu coração.
Coração? Esse a muito só bombeia o sangue mesmo. Minha mente tenta enganá-lo dizendo que está apaixonada. Sou o oposto, sou o contrário.
Minha mente que engana o coração.
Coloque a faca em minha mente, triture meu cerébro, tire todas as lembranças, todas as dúvidas. Me tire de mim. Meus problemas, minhas dúvidas, minhas tristezas, arranque-as todas. Não seja um torturador, seja meu salvador.
E então leve meu coração inteiro, coloque numa caixa e diga: "As ultimas batidas desse coração foram pra mim, foram de gratidão. Eu fui amado". Não será digno de pena você apenas ter sido amado por aquela que você assassinou. O amor tem várias formas de aparecer.
Tantas formas que eu deixei de acreditar em todas.
Coloque a faca em minha mente. Me deixe ir embora desse mundo. Tem alguém muito especial pra cuidar de mim do outro lado, não se preocupe. Não guardarei ódio de você, apenas amor em forma de gratidão.
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sexta-feira, 25 de março de 2011
Sonho de valsa
De encontros e desencontros já basta eu mesma. Já basta minhas dúvidas, inseguranças e vontade de comer compulsivamente. Já basta a minha necessidade de um amor. Meus poucos momentos de sorte, minha ironia e mau humor constante. Conheço todos meus defeitos.
Quero alguém que entenda meu medo por cachorros, a perseguição das borboletas, os girassóis na parede, e que - principalmente - veja a dobra invisível do meu cabelo. Quero que para alguém meus defeitos bastem e que os dele bastem para mim.
Aquele príncipe que me compreenderá e verá qualidades em mim que ninguém mais vê, mas que veja todos meus defeitos. O príncipe (per)feito pra mim, do modo mais imperfeito possível, (imper)feito pra eu caber em seu abraço e que sua mão proteja a minha.
Quero que ele me conserte - e eu a ele - para sermos então, perfeitos. Não um para o outro, mas, juntos.
Para esse príncipe eu imploro: tire a coroa e perca toda a perfeição dos contos-de-fadas. Venha humano.
Tenho medo de sonhos bons.
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sexta-feira, 11 de março de 2011
Divagações sem explicações
Chuva e sol, casamento de espanhol. Sol e chuva, casamento de viuva. Canto mentalmente enquanto caminho sob a garoa bem fina e brilhante por causa do sol. Talvez a viuva esteja casando com o espanhol.
Meu óculos fica todo molhado, e começo a ver o mundo de uma forma salpicada, olhos míopes não transformam o mundo. Lembro dele dizendo que deveria usar lentes de contato - faço uma pequena nota mental: nunca usar lentes. Não me importo com a chuva, ou a vista que estou perdendo por estar com a visão embaçada, já conheço esse caminho, sei onde é seguro pisar e em quais pontos da calçada desviar.
Sem me preocupar por onde vou, pra onde vou ou por onde passo me sobra bastante espaço pra pensar em qualquer outra coisa. Estudos? Trabalho? Amor?. Nada me vem em mente e sinto a felicidade de pensar em nada. Apenas erguer o rosto pra chuva que agora cai forte e faz a roupa grudar no corpo, abrir os braços e sentir as gotas tocando em cada parte do meu corpo. Me sentir viva.
A chuva acaba. O sol continua. O que terá acontecido no casamento?
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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
Sunflowers on the wall
Um novo ano começou, 2011 com o ar carregado de surpresas e expectativa chegou para trazer mudanças. E eu fiquei sem inspiração, o que acontece sempre que estou sob pressão, ou com medo do que está por vir.
Datas “importantes” se passaram e eu quase não as notei, sinais que antes me fariam sonhar acordada, interpretei como tristes coincidências. E o futuro, tive medo de pensar nisso.
Apenas nada de interessante aconteceu para ser retratado ficcionalmente, nem tive tempo para fantasiar histórias. Esse mês eu vivi pra mim, fui egoísta sim, mas com isso tive tempo de pensar e decidir o que queria, decidir meu futuro e minhas prioridades. Posso dizer que esse pedaço do verão me tornou mais mulher. Tenho meu ponto de vista e meus objetivos, talvez não saiba como alcançá-los e provavelmente não descubra pelo caminho, mas sei que chegarei lá. Tenho certeza disso.
Inspiração? Essa chegou. Um pequeno detalhe em um livro, a personificação do amor vivido entre as personagens principais. Girassóis na parede. Um para cada momento que passaram juntos. Talvez uma informação inútil em meio a toda a história, mas com certeza o momento em que parei e percebi o amor. Aquele amor puro, sem idealizações, o amor proibido, porém inocente. O amor retratado pelos mais românticos, onde o mais importante é o menor detalhe, o amor que a pessoa que mais tenta não sentir, sente.
Esse amor é unilateral, impossível de se compartilhar, mas fácil de esconder quando a pessoa toma o cuidado de mentir, culpar o outro e demonstrar que ama menos o amor que só ela sente.
Tenho pena de saber que ele planta girassóis sozinho, em pequenos vasos, já que não estou lá para ajudá-lo a colocar as pequenas flores na parede. Estou ocupada vivendo, enquanto ele diz viver, mas apenas rega os vasos e olha pela janela do quarto secreto, onde esconde esse amor que diz não ter.
Desculpe, mas preciso de foco nesse novo ano e não posso visitar seu quarto, nem cuidar de umas flores em minha casa. Tenho minha própria parede com flores, com o amor narcisista que tenho cultivado nesses últimos três meses. E isso me ocupa todo o tempo.
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quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
Medo, estação e filmes de terror.
Uma caneca cheia de café, aquela blusa larga e quente da minha mãe. É assim que minha quarta-feira começa. Não faz sol, o vento é gelado e puro. Esse clima me faz bem, me faz relaxar e querer ficar sozinha. Aquela solidão boa que tanto procuro.
Adoro o final das estações, quando elas se revoltam para as pessoas perceberem que elas ainda não foram, pra avisarem que ainda não é verão.
O café está forte, quente porém não muito doce. Sento em minha sala e observo a rua. Como quero sair por aí, correndo, sentindo este vento gelado no rosto, com o cabelo voando e batendo no meu rosto. Sentir o fim de estação, dizer que sei que ainda não é verão. Mas tenho medo.
Tenho medo de sair, olhar pro céu e ver uma lua de filme de terror. E me lembrar de você, fugindo do clichê, fugindo do mundo comigo, me abraçando e dizendo que a lua está linda, como...como num filme de terror.
Tenho medo de me dar conta que ainda não te esqueci, que quando não tenho nada pra fazer pego minha caneca com café e lembro daquele dia. E me pegar rindo sozinha quando lembro do frio que senti quando te encontrei. E não era frio de fim de estação.
Tenho medo de saber que frio era esse.
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quinta-feira, 25 de novembro de 2010
Vinte e três.
O despertador tocou. Ainda com os olhos fechados senti um calafrio e a data que esse dia representava me veio a mente, como uma pedra caindo no abismo. Rápida e doloridamente. Voltei a dormir.
Esse dia não iria existir.
Mas tive que levantar, fazer esse dia existir. Levantei, me vesti e sai. Enquanto passava pelas janelas das casas daquela ruazinha deserta vi meu reflexo. Era a mesma roupa. Me odiei por segundos, eu queria bloquear qualquer lembrança daquele dia, e usar a mesma roupa não ajudava muito; aumentei o som dos fones de ouvidos. Ensurdecer minha memória, essa era a meta.Esse dia não iria existir.
Ninguém lembrava. Ainda bem. Estavam todos preocupados com o final do ano, provas e física. E eu estava tentando entrar nessas preocupações banais e tirar minha vida pessoal da cabeça.
O dia era vinte e três. E fazia um mês.
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Who cares?
Aquela calça jeans velha e surrada, aquele all star sujo e rasgado, aquele moletom escuro e confortável. O cabelo preso, o esmalte descascado e o rímel borrado. O vento forte, o sol quente, a rua deserta. Raiva, ódio, solidão, saudade.
E lá estou eu, andando simplesmente por andar, só pra não ficar em casa sozinha, com meus pensamentos sombrios. Enquanto eu ando perdida pela cidade não penso, não sinto e nada vejo. Por que mesmo estava chorando? Não lembro. Memória reprimida ou motivo banal? Nunca saberei. Apenas sei que nada importa. Preciso saber seguir o meu caminho, pisando nos espinhos que ali estiverem. São lições a serem aprendidas, emoções a serem guardadas.
Volto pra casa, tomo um banho, me maqueio, visto aquele vestido novo e meu salto mais alto, ligo pras minhas amigas e combino de sair.
Já sou outra pessoa, totalmente diferente daquela de tarde, que andava sem rumo e desarrumada. Mas isso não importa.
Afinal, ninguém se importa.
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sábado, 4 de setembro de 2010
Far away
O dia passa, sem vento, nem frio nem calor, nem bom nem ruim, apenas passa; e eu passo por ele com o pensamento longe, quilômetros - talvez anos-luz - de onde realmente estou; mas faço isso apenas porque não consigo entender o que acontece a minha volta, ao meu alcance. Mais nada faz sentido pra mim.
Aquela amiga que brincava de elástico comigo na 3° série agora está ocupada em casa, cuidando da filha que chora no meio da noite; aquela professora que me ajudava nos exercícios complexos de português na 7° série, agora descansa em paz; aquela minha melhor amiga da 1° série passa do meu lado todo dia e não me reconhece. E isso é apenas o passado voltando.
Não entendo como a lembrança daquele abraço - o melhor presente de 15 anos que eu poderia receber - voltou e me fez sentir uma saudade monstruosa daqueles braços e perfume em mim; como pólos vermelhas me deixam com uma sensação estranha; como ver casais brigando me deixa feliz.
E assim, desse jeito distante e menos confuso do que poderia ser, eu vou passando pelos dias, que passam lentamente, e que mudam minha visão, opinião e sentimentos. Mas ainda não sei se isso é bom ou não, estou um pouco longe pra avaliar o tamanho do estrago que isso está causando.
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sábado, 28 de agosto de 2010
Egoísmo, perfeição e desejo.
Eu não te amo, apenas te quero, de um jeito egoísta, admito. Pelo menos não minto.
Quero ouvir sua voz sussurando algum comentário idiota em meu ouvido, sentir sua mão envolvendo a minha, ser o motivo do seu sorriso torto tão fofo, competir sobre quem conta o seu dia primeiro, ser aquela que você precisa abraçar no final do dia.
Quero tudo isso e muito mais, eu quero você e a sua perfeição tão imperfeita. Eu queria ser imperfeita pra você e ter a sua perfeição pra mim.
sábado, 21 de agosto de 2010
A estrada.
O carro avança pela estrada escura e vazia, 110 km/h, um pouco mais rápido que as batidas do meu coração. As placas indicam o melhor caminho até você. Não sei se até seu coração, isso os sinais luminosos não contam. Mas eu acredito que sim.
A próxima entrada é pra sua cidade, o carro continua em alta velocidade, agora meu coração bate na mesma velocidade - senão mais rápido -, fecho os olhos e espero o barulho da seta pra direita. o barulho que me levará até você. Não o ouço. O carro continua avançando. Abro os olhos. Vejo a bifurcação da estrada, a direita me leva pra sua casa, reto pra uma cidade que ninguém quer conhecer, muito menos você. O carro continua avançando. Pra longe de você.
sábado, 24 de julho de 2010
Confusão.
"Mais um dia", é só isso que ela consegue pensar logo que se levanta. Não é algo encorajador, muito menos positivo, é apenas sua realidade. Ontem foi dormir jurando não pensar nele, jurando ser apenas uma obsessão momentanêa, que iria passar quando o sol surgisse novamente; apesar de acreditar nisso, só tinha a certeza de que o sol surgiria no outro dia, do mesmo jeito que antes... quanto a lembrança constante dele em sua vida, não tinha tanta certeza.
O dia passa e junto com ele pequenos detalhes que as vezes só ela percebe, pequenas frases ou observações feitas por seus amigos, trazem ele à sua mente, com seu jeito estranho de ser, sua vida social e seus comentários estimulantes; e uma vez que pensa nisso, não consegue mais parar, e pouco a pouco, ao lembrar de seus momentos juntos e suas conversas, ela se apaixona novamente por ele, ou pela ideia deles juntos.
"Não estou apaixonada por ele. Não posso estar" é só isso que consegue pensar, mas logo percebe que não sabe como é se apaixonar e um medo a invade, o medo de que não perceba quando isso acontecer, e sofra...mais do que já sofre. Apesar de não sofrer.
Nada nela faz sentido, ela é um imenso ponto de interrogação, nem mesmo consegue se entender, então se cala, sofre em silêncio, por que tudo isso é confuso demais pra ser explicado, pra procurar ajuda.
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sábado, 10 de julho de 2010
Sinais, sorte e palavras.
17:17. 18:18. 20:20. E ninguém está pensando em mim.
Um, dois, três urubus. E não vou encontrar ninguém.
As portas estão todas trancadas.
Não adianta, meu trevo de quatro folhas se quebrou, o sal insiste em cair na minha mesa e gatos pretos adoram cruzar meus caminhos incertos.
Não é uma maré de azar, e sim um oceano constante, mas não nego que haja momentos de sorte, as vezes - quando o mar está calmo, o sol brilha e não há vento - momentos bons, pessoas boas chegam até mim, mas logo o vento insiste em passar e meu constante azar volta, e junto com o vento, as coisas boas se vão.
Não é uma maré de azar, e sim um oceano constante, mas não nego que haja momentos de sorte, as vezes - quando o mar está calmo, o sol brilha e não há vento - momentos bons, pessoas boas chegam até mim, mas logo o vento insiste em passar e meu constante azar volta, e junto com o vento, as coisas boas se vão.
Quem sabe amanhã não haja vento e meu oceano fique calmo o dia todo?
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Crédito da super foto para Henrique Padovan Lira
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sábado, 19 de junho de 2010
A roda da vida.
Ela tenta ser algo a mais, fazer algo fora do comum, já que a acusaram de sempre escrever sobre a rotina. Mas algo a bloqueia e a faz olhar pro horizonte, sem pensar nem ver nada.
Ela passa o dia de modo estranho, seu humor intercala entre muita felicidade, raiva, tristeza, melancolia e nada. A cada oportunidade que tem corre pro sol, mesmo que não esteja frio - como não está -, senta-se e espera a hora que tem que levantar, quase sempre com sua amiga ao lado, pra deitar no colo e admirar o céu mais azul que existe, esperando respostas.
Num desses momentos melancólicos ela percebe o que a bloqueia, o que a faz calar e olhar pra longe...ela tem medo, medo de que o que escreva não vire realidade, medo de expressar tudo o que tem guardado e quando isso deixar de ser somente dela, se perca no céu azul perfeito e ela fique sem sonhos, sem realidades, sem segredos.
E assim as pessoas não sabem o que sente de verdade, pois seus sentimentos quando expressos são confusos e misturados.
E mesmo não sabendo também o que sente, sabe tudo o que pensa, e lembra-se com perfeição da carta do tarô sendo virada por seu melhor amigo, e da voz confortável e segura dele ler a promessa da carta, de que todo esse ciclo terá começo, meio e fim. Pois, afinal, tudo está na roda da vida.
A carta está na vida dela, e ela está na carta. Não se sabe quem entrou na vida de quem primeiro, mas essa promessa, essa carta, traz segurança pra pequena princesa, aquela que ainda mantem a realeza, os livros, a matemática e os sonhos de um príncipe perfeito, pra ela.
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Crédito da super foto para Henrique Padovan Lira
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quinta-feira, 10 de junho de 2010
Just smoke my cigarette and run
Os prédios, a cidade e as pessoas a sufocam. Poderia dizer que ela não vive, está apenas existindo, mas é mentira, essa é a época que está mais viva, apesar dos pesares.
Caminha todo dia de manhãzinha, com o vento gelado a bater no rosto observando o chão e encontrando pelo caminho coisas sem sentido, com história, ou simplesmente lixo; todo meio do dia deita no chão e observa o céu, no lugar em que ele é mais azul, as vezes sozinha, mas a maioria das vezes acompanhada, talvez da melhor companhia que possa existir no mundo, e ela sabe disso, por isso que valoriza ainda mais os dias em que não se deita solitária ao chão; e todo final de tarde algo novo vem a seu encontro.
São esses acontecimentos não esperados, nada planejados e muito bem observados que a fazem pensar que vale a pena viver, mesmo que no final do dia saiba mais da vida de estranhos do que da de alguns amigos, ou da dela própria. Mas só a sensação de saber que aquele moço de moletom azul - que já começou a faculdade de física e matemática, mas por algum motivo foi obrigado a abandonar - ainda não desistiu, mas sim sorri e diz que ano que vem vai estudar pra passar em engenharia elétrica e dessa vez finalizar os estudos; ou de saber que aquela senhora do cachecol branco conseguiu resolver seu problema com o celular e decidiu de qual cor será seu novo apartamento a faz feliz...por algum motivo essas pessoas sentaram ao seu lado nos ônibus, e lhe contaram essa parte da vida delas, talvez ela esqueça deles no dia seguinte, talvez escreva um texto sobre eles, talvez ainda os reencontrem, um formado em engenharia elétrica, outra feliz em seu apartamento, quem sabe pensando em pintá-lo novamente?
Assim passa o dia daquela garota que nesses últimos dias tem problemas demais na cabeça e o olhar muito distante, que tem problemas com o horário e que tem medo do futuro.
Talvez ela precise correr e descobrir, mas ela tem medo do futuro. Como quase todo mundo.
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Crédito da super foto de Henrique Padovan Lira
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domingo, 23 de maio de 2010
Eu acredito em nós.
A neblina cobre toda a minha visão, mas o carro continua avançando e eu vou entrando nessa neblina, assim posso ver uma linda paisagem se formar em minha janela - que está fechada por causa do vento frio que passa rapidamente, assim como o carro - a montanha ao longe se mistura com as nuvens, que estão em um tom lilás acinzentado muito peculiar e único; e o Sol, este está nascendo, acrescentando um tom rosa alaranjado ao céu e às nuvens.
No acostamento da estrada eu observo o capim esbranquiçado passar rapidamente por mim - como se a Terra estivesse se movimentando, e não eu -, geou à noite, mesmo minha mãe falando que isso é impossível no Sudeste.
Eu acredito nas coisas impossíveis, realmente acredito.
O dia está frio, sinto-o, talvez mais do que os outros, pois minhas duas blusas e poncho não estão me aquecendo o suficiente; todos estão espantados com isso, dizem não estar tão frio assim. Mas eu sei o que sinto, sobre tudo, e também sei o porquê.
O porque disso tudo. Do conhecimento da cor exata do céu, do reconhecimento da temperatura, da razão da minha playlist de reggae meloso. É ele. Foi ele que causou essa mudança em mim, com seu cabelo castanho e macio, seu olhar castanho e profundo, seu toque macio e quente, ele me tirou algo, mas também me trouxe outro. E pode parecer impossível, mas eu ainda o sinto aqui, do meu lado, me olhando de longe, me abraçando, sussurando em meu ouvido, e de alguma forma, de algum jeito estranho, eu o amo, mas não como amor.
Aceite isso que digo, pois como já falei, pode parecer impossível, mas eu também disse que acredito no impossível.
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Crédito da super foto de Henrique Padovan Lira
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sexta-feira, 21 de maio de 2010
Desculpa as mágoas que eu deixei.
Aqui vai uma confissão.
Eu não sinto falta da minha 8° série, ou das séries antes dela.
É estranho, eu sei. Não nego que não tenham sido anos únicos, especiais, e nem digo que não conheci pessoas especiais demais na minha vida, porque eu conheci, eu vivi. Mas tudo parece como premeditado, escrito no livro da vida, tudo certo antes mesmo de acontecer, tudo cruzado pra eu conhecer aquelas pessoas.
sábado, 3 de abril de 2010
Explosão.
O cheiro da bebida não a incomodava, a música alta e sem sentido lhe fazia bem. Ninguém a reconhecia, mas ela era a mesma. Na verdade, estava sendo ela mesma depois de muito tempo fingindo ser alguém diferente, uma pessoa mais séria, mais focada, mais madura.
Enquanto dança e bebe, sente a liberdade, sente-se feliz. Quer aproveitar a vida.
O cheiro forte da bebida não a incomoda, lhe faz bem. O abraço amigo do desconhecido não lhe dá claustrofobia, lhe faz bem, ela se sente querida. Não enganada, não iludida. Querida.
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sábado, 20 de março de 2010
Saiba disso.
Não é porque ele desvia do caminho pra te cumprimentar que ele goste você. Não é porque logo que você entra no msn ele vem conversar que ele goste de você. Não é porque ele pergunta do seu final de semana que ele goste de você. Não é porque ele te liga milhões de vezes que ele goste de você. Não é porque você o vê sorrindo ao longe em sua direção que ele goste de você. Não é porque as pessoas cochicham com ele quando você passe que ele goste de você. Não é porque ele te espera sair da escola que ele goste de você. Não é porque ele implica por causa do seu livro que ele goste de você. Não é porque ele segura sua mão, sua cintura ou seu rosto que ele goste de você.
Tudo isso só significa que você gosta dele. E repara em todas as coisas que ele faz. E vê o que não existe.
Ele não gosta de você. Aceite isso.
quarta-feira, 10 de março de 2010
Verdades
Ela queria, naquele dia mais do que em todos, ser invisível. Não por vergonha, ou por arrependimento, não mudaria nada que fez na semana inteira, por mais estranhas e ridículas que foram, ela se sentia bem com suas escolhas. Só queria ser invisível pra que ninguém atrapalhasse a sua paz, principalmente ele.
Foi pra pracinha silenciosa que havia ali, sentou-se à sombra das árvores, tirou seu livro da bolsa e adentrou em sua paz, tudo parecia cena de filme, refrão de música, descanso depois da longa caminhada. Seu livro era especial, descrevia uma vida universal, que as vezes ela espantava-se com as semelhanças entre sua vida e a contada, mas sempre se sentia bem... então ela finalmente via que não era a única do mundo que passava por aquelas situações, que tinha aqueles medos.
Logo após terminar o capítulo sobre a coragem algo fez sombra em seu rosto e ao erguer os olhos percebeu que era ele, a última pessoa que ela queria encontrar naquele dia.
Ele sentou ao seu lado e ficou observando a vista bucólica do lugar.
- Eu preciso muito da sua ajuda - falou ele.
- Eu não posso te ajudar. Porque estou invisível.
- Pare com isso, o que tenho pra te falar é importante...preciso da sua ajuda.
- Você nunca me viu quando tentei ser visível. Hoje eu não posso te ver, não posso te ajudar. Eu estou invisível pra você.
Ela levantou-se, sua paz ainda não estava abalada, mas sabia que precisava sair dali antes que ele falasse alguma coisa que a pertubaria; ela pegou sua bolsa e livro e começou a andar pelo caminho de tijolos vermelhos já gasto pelo tempo.
Sentiu quando ele segurou seu braço, sentiu seu hálito em seu pescoço quando ele disse:
- Mas eu te vi quando estava invisível. Isso não vale alguma coisa? Não conta nenhum ponto?
- Você não me viu, você precisou de mim. Apenas isso.
Ela desvencilhou-se e continuou a caminhar, sabia que esse seria mais um momento daquela semana que ela não se arrependeria.
Pauta para o OUAT
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