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domingo, 30 de maio de 2010

Cartas, amor e chá.


"Guardo pra te dar
as cartas que eu não mando
Conto por contar
E deixo em algum canto"

Era apenas mais um dia frio de Junho, uma tarde silenciosa no pequeno apartamento do nono andar, Amélia estava sentada um sua poltrona favorita, apenas apreciando sua vista, quando ouviu um barulho no corredor e viu cartas entrarem por baixo de sua porta, levantou-se apenas pra tira-las do chão, sabia que eram apenas contas e anúncios, mas se surpreendeu ao encontrar um pacote pardo grosso, sem remetente. Voltou para sua poltrona e abriu-o, dentro haviam cartas, muitas delas, umas endereçadas à sua antiga casa, quando ainda era solteira e outras pro apartamento que comprou depois que enviuvou. Se assustou quando viu que o remetente destas era Jorge, seu primeiro namorado, aquele que fugira quando o pai dela o mandou pedi-la em casamento; junto das cartas havia um bilhete cor-de-rosa, escrito numa caligrafia feminina, Amélia leu-o primeiro.

"Amélia, sei que não nos conhecemos, mas sei de sua história, meu avô vivia contando-a pra mim. Chamo-me Juliana e sou neta de Jorge, sinto-lhe informar que ele morreu há duas semanas e ele me pediu pra lhe entregar as cartas que ele sempre escreveu pra senhora, mas nunca teve coragem de mandá-las. Desculpe se a importuno, só estou atendendo o último pedido de meu avô."

Ela respirou fundo e abriu a primeira carta, fora escrita um dia depois dele ter fugido, ele se culpava pela covardia que tivera, mas que não podia mais voltar, pois a magoara muito e não acreditava que ela o aceitaria de volta. "que tolo, eu o aceitaria sob qualquer circunstância"; as que se seguiram contava o dia a dia dele, as cartas tinham uma frequencia de mês pra mês, nos meses ruins havia mais de uma. Os anos foram se passando, nas cartas e na mente de Amélia, percebeu que ele esteve presente em sua vida o tempo todo, de longe.
O relógio marcou 21:21, ela abriu a última carta, nessa última ele se despedia.

"Querida Amélia,
                              Essa talvez seja a última carta que eu lhe escreva, pois meus filhos estão pra chegar e me levar pro hospital, sim, hospital. Tenho escondido de você nas últimas cartas, mas estou com câncer. Estava até pouco tempo controlando-o com remédios, mas deve saber como essa doença é, ela sempre encontra um jeito de continuar te envenenando e agora preciso fazer quimioterapia. Porém não se preocupe, não tenho medo...
                              Minto minha querida, eu tenho medo...pois o médico disse que posso perder a memória, e tenho medo disso realmente acontecer e eu te esquecer, esquecer das nossas tardes juntos na praça do seu bairro, dos jantares com a sua família. Fui um idiota por te abandonar, um idiota por escrever cartas que nunca mando, e agora a doença me atinge e o medo me domina. Mas já tomei uma decisão, lhe enviarei essas cartas, assim que sair daquele hospital; melhor, lhe entregarei pessoalmente. E assim, finalmente, poderei te rever e dizer o quanto fui tolo.

                                                                                                           Te amo minha querida, Jorge."

Ela terminou de ler a carta, seu coração martelou uma vez, duro, espremendo duas lágrimas quentes de seus olhos... não podia acreditar que ele a amara durante todos aqueles anos, se sua memória não falhava passara 52 anos desde a fuga dele.
Ambos construiram uma vida, uma família, tiveram seus problemas e suas felicidades, mas nunca se esqueceram um do outro.
Ela imaginou como sua vida poderia ter sido diferente se ele houvesse enviado a primeira carta, não conseguiu, sua cabeça doia por causa do choro conpulsivo. Levantou-se e foi pra cozinha, preparou um chá e voltou pra sua poltrona, olhando pra sua sacada o mundo parecia diferente agora, parecia que anos haviam transcorrido desde a hora que o carteiro passara.

Levantou-se e foi pra sacada, o vento estava forte e frio, mas ela não se importou, tomou um gole de chá e sussurou pra escuridão da cidade, pra lua cheia e pro vento apressado palavras tardias.

"Eu te amo, sempre te amei também."

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Crédito da super foto de Henrique Padovan Lira

domingo, 18 de abril de 2010

Faz sentido. ela sabe.


O telefone começa a tocar, alguns curiosos ao redor olham pra tentar descobrir quem toca aquele som tão praia, ninguém parece reconhecer, mas assim é a Cris, gosta do que ninguém conhece. Ela atende e a voz dele sai, aquela voz que ela reconhece em qualquer lugar, não importa quão ruim seja o sinal.
Ele diz que precisa vê-la naquele momento, e eles combinam de se encontrar na sorveteria perto da casa dela, aquela verde que até umas semanas atrás era laranja.

Enquanto caminha, percebe tudo o que está pra acontecer, desvenda tudo o que será dito quando encontrar com o Bruno, sabe que o conto de fadas está no final, se bem, na verdade, nunca foi um conto de fadas. Mas não importa do que ela rotule, isso em breve acabará.
Quando chega na sorveteria o vê sentado na mesa 3, a mesa deles, ela tira o anel do dedo, coloca na mesa e diz:
- Assim é mais fácil, ninguém vai sofrer.
Ela vira pra voltar pra casa, dá uma ultima olhada pra trás e vê que o menino dos seus sonhos está guardando a aliança no bolso, pagando o sorvete e saindo, pra direção oposta.

Sempre a direção oposta, por isso que ela sabe que fez a coisa certa.

Ela não consegue gostar de ninguém, ela é um desastre natural, está sozinha, mas está feliz. Ninguém consegue entendê-la, mas ela sabe que tudo faz sentido, e ele também.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Verdades


Ela queria, naquele dia mais do que em todos, ser invisível. Não por vergonha, ou por arrependimento, não mudaria nada que fez na semana inteira, por mais estranhas e ridículas que foram, ela se sentia bem com suas escolhas. Só queria ser invisível pra que ninguém atrapalhasse a sua paz, principalmente ele.

Foi pra pracinha silenciosa que havia ali, sentou-se à sombra das árvores, tirou seu livro da bolsa e adentrou em sua paz, tudo parecia cena de filme, refrão de música, descanso depois da longa caminhada. Seu livro era especial, descrevia uma vida universal, que as vezes ela espantava-se com as semelhanças entre sua vida e a contada, mas sempre se sentia bem... então ela finalmente via que não era a única do mundo que passava por aquelas situações, que tinha aqueles medos.
Logo após terminar o capítulo sobre a coragem algo fez sombra em seu rosto e ao erguer os olhos percebeu que era ele, a última pessoa que ela queria encontrar naquele dia.
Ele sentou ao seu lado e ficou observando a vista bucólica do lugar.
- Eu preciso muito da sua ajuda - falou ele.
- Eu não posso te ajudar. Porque estou invisível.
- Pare com isso, o que tenho pra te falar é importante...preciso da sua ajuda.
- Você nunca me viu quando tentei ser visível. Hoje eu não posso te ver, não posso te ajudar. Eu estou invisível pra você.

Ela levantou-se, sua paz ainda não estava abalada, mas sabia que precisava sair dali antes que ele falasse alguma coisa que a pertubaria; ela pegou sua bolsa e livro e começou a andar pelo caminho de tijolos vermelhos já gasto pelo tempo. 
Sentiu quando ele segurou seu braço, sentiu seu hálito em seu pescoço quando ele disse:
- Mas eu te vi quando estava invisível. Isso não vale alguma coisa? Não conta nenhum ponto?
- Você não me viu, você precisou de mim. Apenas isso.
Ela desvencilhou-se e continuou a caminhar, sabia que esse seria mais um momento daquela semana que ela não se arrependeria.

Pauta para o OUAT


quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Simplesmente.



"So she said what's the problem baby
What's the problem I don't know
Well maybe I'm in love
"

O sol dançava entre as folhas das grandes árvores, criando sombras sem sentido no chão, quando ela chegou ao parque.
Ele havia ligado pra ela de madrugada dizendo que precisava falar com ela, que precisava ser naquele dia, ela assustada pelo tom de voz e pela hora concordou em encontra-lo naquela manhã. Apesar do sol, fazia frio e ela colocou aquele moletom velho e grande, sua calça jeans favorita - aquela que sua mãe insistia pra ela jogar no lixo - seu all star rasgado e prendeu o cabelo de qualquer jeito, ainda estava meio sonolenta e com uma cara horrível, mas ela não ligava.
Procurou por ele com os olhos e o encontrou sentado no banco de madeira perto de um carvalho, ele  estava com  a cabeça abaixada e com o conjunto de moletom azul, aquela que ela tinha escolhido junto com ele. Ela sentou-se ao lado dele.
- Você tá bem Lu?
- Liz, eu não sei o que tá acontecendo comigo, eu to sentindo tanta coisa que não consigo assimilar tudo.
- Mas o que tá acontecendo? Me fala, você me deixou preocupada com o telefonema.
- Promete que vai me ouvir até o fim? Não vai embora no meio nem nada.
- Prometo.
- É você Liz, desde aquele dia eu não consigo te tirar da cabeça, não que eu não pensasse em você antes, não é isso, mas eu não paro de pensar em você como se eu gostasse de você, e isso não pode acontecer, certo? Você tá com o Caique e gosta dele, apesar dele ser um idiota e nem ligar muito pra você. Não, não me interrompa, por favor. Mas então, eu não sei o que tá acontecendo, mas ontem de tarde eu vi você saindo do cinema com ele, e me deu vontade de bater nele, não pelo fato dele ser seu namorado, mas porque o braço dele estava tocando nas suas costas, ele podia sentir seu perfume bem de perto e você sorria pra ele. E eu senti raiva de mim, porque poderia ser eu lá, se eu tivesse lutado por você, se eu tivesse tentado mudar nossa amizade num amor, mesmo depois daquele dia que nos beijamos...tá bom, que eu te beijei, eu não consigo para de pensar em você dessa maneira. Pronto, pode ir embora agora.
Ela ficou paralisada, olhando pro chão por um tempo, que para ambos foi considerado longo, enquanto eles permaneciam em silêncio uma chuva fina e constante começou a cair.
- Eu e o Caique terminamos...
- É mesmo? Digo, que pena...
- Para com isso seu tonto, você acabou de falar que não queria que a gente ficasse juntos.
- É, mas você gostava dele.
- É, eu acho.
- Mas você tá mal ou alguma coisa assim?
- Não, eu queria terminar mesmo, é porque teve um dia, uns meses atrás, que eu beijei um carinha amigo meu, na verdade ele me beijou, mas eu não consegui esquecer dele...e me doía olhar pra ele depois,  mas ele não falou mais nada depois e daí o Caique chegou e falou que tava gostando mesmo de mim, daí eu tentei esquecer esse meu amigo.
- Ah, você tá falando sério? Mesmo? Ahh, olha, eu juro que desta vez será diferente, eu vou falar que gosto de você. Não, melhor e mais verdadeiro. Eu amo você Liz, eu te amo e não quero mais ficar longe de você, não quero estragar tudo outra vez, nunca mais. Me dá uma chance?
- Chance dada.
Naquela manhã, com aquela garoa fina e refrescante aquele parque, aquele banco, aquele carvalho eram as testemunhas daquele pacto de amor que estava finalmente sendo selado.


Pauta para o OUAT.
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2° lugar

domingo, 20 de dezembro de 2009

Felicidade



Era mais um dia normal, tão normal que eu estava começando a me irritar com a calmaria de tudo e decidi sair pra uma caminhada, o plano - no ínicio - era dar uma volta no bairro e nada mais, mas eu atravessei este e continuei andando, em direção ao centro daquela cidade de interior, enquanto eu andava nada passava pela minha mente, nenhum problema, nenhuma dúvida, nenhuma indagação.
Passei pelas lojas sem observar as vitrines, pelas pessoas sem reconhecer nenhuma, sem encarar nenhuma. Eu olhava pras nuvens e sorria.
Andava e em nada pensava, acho que não existe melhor sensação do que essa, a de não pensar.
Cheguei a uma das inúmeras pracinhas que existem lá, sentei-me em um banco e lá fiquei, observava as pessoas saindo das lojas com muitas sacolas, as crianças chorando por um brinquedo e a mãe mandando elas ficarem quieta e continuarem a andar. Continuar a andar, nunca parar, afinal, na vida é preciso chegar em algum lugar...e isso é impossível de ser feito se ficarmos parados.
Enquanto retratava a vida interiorana da cidade ouvi a música do sorveteiro, sim sim, música; e de repente me veio o desejo de comprar um. Como num impulso levantei e fui até o carrinho de sorvete, escolhi um de chocolate - escolha classicamente infantil. Voltei ao banco e a minha atividade anterior, quando uma senhora, de cabelos branquinhos e vestido azul-céu falou comigo:
- Mas você ainda está aqui? Pensei que quando se levantou seu namorado tinha chegado.
- Eu não tenho namorado, senhora. O que a fez pensar isso?
- Oras, uma moça, sentada numa praça por tanto tempo deve estar esperando alguém, e com certeza um rapazinho.
- Não, não, a senhora está enganada, apenas me sentei aqui pra observar as pessoas e o movimento.
Mas ela não estava mais ao meu lado, do mesmo jeito que surgiu, desapareceu. Eu fiquei sem entender algumas coisas da cena que acabava de acontecer, mas percebi que enquanto observava a vida das pessoas e tentava descobrir seus problemas também estava sendo observada e era uma dúvida na cabeça daquela senhora, porém eu não me abalei com nada disso, nada mais importava, eu tava feliz e isto realmente é importante! - principalmente pra mim.
Levantei-me, joguei o palito do sorvete no lixo, e voltei pra casa. Dessa vez eu olhei as roupas nas vitrines, as espressões nos rostos das pessoas e uma pergunta me veio à mente: "O que é necessário para ser feliz?", ri imaginando as possíveis respostas dos meus amigos, e por fim, pensei na minha.
Uma caminhada e nada para se pensar, isso já forma uma grande parte da felicidade.

Pauta para o OUAT

sábado, 12 de dezembro de 2009

Lucky day



 "O que mais pode dar errado?". Só isso passava pela mente dela, se ela fizesse uma lista com os prós e contras desse dia as colunas ficariam desproporcionais. Quanto mais ela pensava positivo, pior tudo ficava.
Tá, ela precisava organizar seus pensamentos...estava numa rua desconhecida, encolhida num toldo de uma loja pra não se molhar, esperando um ônibus passar, pois o seu havia quebrado, agora tinha que entrar no primeiro que passasse e nunca chegaria à tempo no shoppping.
Se acalmar. Era isso que ela precisava fazer, tudo daria certo, só precisava esperar pelo próximo ônibus. Ah não, pensamentos positivos atraem situações negativas, como pode esquecer disso? E enquanto se recriminava por isso passou um ônibus, ela fez sinal, mas ele não parou e acima disso passou por uma poça d'água, que acabou acertando-a em cheio. Ótimo, isso que dá pensar coisas boas.
Agora é que ela não poderia ir ao encontro, iria desmarcar, pegou o celular e discou o número dele...fora de área, claro, naquele fim do mundo a tecnologia tinha esquecido de passar. Ela teria que ir, não podia simplesmente não aparecer. Provavelmente ele nem estaria lá, já que tudo de ruim estava acontecendo naquele dia...era melhor não pensar mais nada.
Agora ela corria, já estava uma hora atrasada, porém nesse momento estava no estacionamento do shopping, nada poderia dar errado agora...desviando dos carros que insistiam em acelerar quando ela estava passando, ela corria, ela já sabia que ele não estaria lá, mas precisava comprovar isso. Estava suja, molhada, descabelada, com a calça rasgada na altura no joelho por causa da queda quando saiu do ônibus; esperava com toda a sua alma que ele não estivesse lá pra vê-la naquele estado deplorável.
Ela foi se aproximando da cafeteria...e ele estava lá. Ela não pode acreditar. Como? Ele sorriu pra ela...ela ainda estava tentando processar o fato de que ela estava uma hora atrasada e ele ainda estava lá, sorrindo. Quando ele levantou pra abraçá-la, ela compreendeu, então como ela já sabia, a vaca ia pro brejo, como sempre, ele chegaria perto dela e veria que estava toda suja, iria embora e assim terminaria sua grande aventura pela cidade.
Mas não foi isso que aconteceu, ele a abraçou, sussurando em seu ouvido que estava linda e que havia valido a pena esperar. Ela tinha que admitir, havia algo diferente...dessa vez havia mágica, e ela soube.
Ele foi o motivo pra tudo antes dar errado.
Ele era a sua pessoa.

Pauta para o OUAT.
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2° lugar.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Quando o impossível acontece




"Sei voce está
Esperando por alguém
Que talvez não vai chegar
Mas a esperança ainda mantém
Seu coração já bate devagar
Está cansado de sofrer

Tanto tempo a esperar
Aquele alguém  aparecer" 


Ela se sentia uma retardada por estar ali, tinha a sensação de que todos a observavam, que sabiam o porque ela estava ali, e riam, interiormente.
Como ela pode imaginar que eles poderiam ter alguma coisa? Realmente foi um espanto quando ele aceitou ir no shopping com ela, mas foi uma estipudez achar que aconteceria algo, já se passava um mês e nada havia mudado, nem mudaria. Cansada de esperar, levantou-se e foi para a saída mais distante, queria refletir um pouco antes de ir pra casa.
E foi quando o viu, ele, lindo como sempre, brilhando e destacando-se na multidão, ele a viu e sorriu, como resistir à aquele sorriso maravilhoso? Ela esqueceu que estivera com raiva dele até poucos segundos atrás. O que importava? Ele estava lá...e se aproximava.
Ela sentiu seu perfume antes de seu abraço, seu calor antes de seus braços. Ele era perfeito, só isso conseguia descrevê-lo.
Ele se desculpou por ter se atrasado, tinha perdido o ônibus. Foi só isso que conseguiu ouvir, estava mais concentrada em arquivar todos os detalhes dele. Estava mais perfumado do que o normal; vestia as roupas que ela achava que o deixava mais bonito - bermuda preta e camisa pólo preta; o cabelo loiro brilhava na luz incandescente do shopping e ela conseguiu ver cada cor que compunha seus olhos verdes claros.
Ele percebeu que ela não mais o escutava, pegou sua mão e disse "No que você está pensando?", sem pensar ela respondeu "No que não vai acontecer...", ele virou o rosto e quando virou estava com um olhar decidido. Ela perguntou o que tinha acontecido. E ele disse. "Não vejo razão pra que não aconteça...", automaticamente ficou vermelho, e ela também.
Ele colocou a  mão em seu rosto gentilmente e disse "se eu disser que sempre quis fazer isso, vc me acharia maluco?", "Então também sou maluca". Essa foi a frase que quebrou a barreira entre eles. Ele a beijou. Ela precisaria de uma semana pra compreender o que estava ocorrendo naquele momento.


Pauta para OUAT
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1° lugar *--*

domingo, 15 de novembro de 2009

Até que a morte os separe.



1968. Mais um casal de namorados estava se casando, jurando seu amor perante todos seus amigos, e Deus. Um mais novo casal na cidade de São Paulo.
Almir e Ruth viveram felizes durante 34 anos, sem nunca terem problemas. Foi quando ele passou mal, foram ao médico e depois de muitos exames este declarou que era uma doença muito grave e que Almir não viveria para o próximo ano. Aos poucos ele foi piorando, até não ter forças pra sair de cama, e assim, a cada ano o discurso era repetido pelo médico, durante 7 anos.
Até que o discurso se fez verdade. Almir foi hospitalizado, Ruth ficou ao seu lado todo o tempo, como havia jurado, na saúde e na doença.
- Não fique triste por mim - disse Almir - quero que saiba que aquela foi a melhor época da minha vida, quando você disse sim na igreja, você foi a melhor época da minha vida. A partir do nosso encontro você passou a ser a melhor coisa na minha vida, esses ultimos 41 anos foram os melhores da minha vida.

Ruth o beijou, do mesmo jeito que se beijavem a 41 anos, do mesmo jeito que se beijaram quando o primeiro filho nasceu, do mesmo jeito que se beijaram quando o segundo filho morreu com apenas alguns dias de vida. Eles se beijaram do mesmo jeito do primeiro beijo, quando o irmão de Almir foi atender a porta e eles rapidamente encostaram seus lábios.
Enquanto ela se lembrava de tudo isso, estavam abaixando o caixão de seu marido para a cova, ela sentiu o desespero subir do seu peito até irromper num grito, num pedido para que todos parassem o que estavam fazendo.
Mas era tarde, a primeira pá de terra havia sido atirada.

Descanse em paz, Seu Almir.


Pauta para o OUAT
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2° lugar

sábado, 7 de novembro de 2009

Irrevogavelmente




Ela o viu chegar, sentiu que com ele viriam as brigas - o assunto de ontem não havia terminado. E enquanto ele percorria o espaço que os separava ela se lembrou do dia em que se conheceram...
Primeiro dia de aula: aquele clima de estranhismo na sala. Ele chegou atrasado; pediu licença com um sorriso - que passaria a ser seu favorito. O jeito como procurou um lugar vago e acabou sentando ao seu lado foi inesquecível, a imagem de seus olhos confusos associava-se ao cheiro da colônia dele. Depois disso, apenas flashes: a vez que tropeçou na porta da sala e ele a segurou pelo braço; a primeira conversa; a primeira confissão; o primeiro beijo - depois de um final de semana prolongado eles se encontraram. Ele estava bronzeado e seus olhos claros tinham um brilho novo, então a abraçou e disse: "Senti saudades" - no segundo depois eles estavam se beijando.
Ela sacudiu a cabeça. Estava sonhando acordada! Ele já havia chegado e começava a falar.
- Só quero te perguntar uma coisa. Você acredita em mim? Porque eu acredito em você! Nunca duvidei do seu amor!   
 - Não sei... - respondeu chorosa - não consigo organizar meus pensamentos...
Ele a abraçou. Conseguia transformar todas as suas dúvidas em certezas. O mundo parou por alguns segundos. Ele a amava, irrevogavelmente.

Pauta para o OUAT.

sábado, 24 de outubro de 2009

Um em um milhão.



Otávio estava indo almoçar no mesmo lugar de todos os dias. Em sua mente frases eram formadas para a conclusão daquele trabalho de filosofia – achando que nenhuma delas valeria a pena passar pro papel.
Quando se deu conta estava na rua errada; sem vontade para voltar, ele continuou andando. Almoçaria num lugar novo. Ao virar a esquina trombou com uma garota, derrubando todos os livros: seus e dela. Foi uma cena de comédia romântica adolescente, mas sem aquela mágica do olhar ou do toque das mãos, só pegaram cada um seus livros. Ele pediu desculpas e partiu.
Por coincidência do destino – ou excesso de romantismo da autora – ele ficou com um livro dela. Julgou ser importante pela quantidade de anotações no rodapé, então ligou para o número do celular escrito na página de rosto, torcendo para que não fosse o telefone de mais ninguém. Novamente o Universo conspirou e uma voz feminina atendeu, depois de explicar a história, descobriu que ela era realmente a dona do livro. Olívia.
Combinaram de se encontrar no dia seguinte, no restaurante de todos os dias, desta vez sem alteração da rotina, a não ser pela presença dela. Foi um acontecimento anormal. Apesar de não se conhecerem, os diálogos fluíam e assim, combinaram um novo almoço.
Em pouco tempo tornaram-se melhores amigos, eles se entendiam de uma forma única, falavam sobre tudo e um aconselhava o outro. Um digno conceito de amizade.
Otávio começava a ansiar pelos almoços e finais de semana, dias e momentos em que eram inseparáveis. Olívia agora preenchia todo o seu pensamento; o coração acelerava e sua respiração tornava-se mais leve. E ele, assustado, via essas sensações crescerem pouco a pouco até tornarem-se sentimento com nome, amor, e juntamente dor. Olívia não demonstrava diferença em seu comportamento, e era isso o que mais doía, saber que amava sozinho.
Reprimiu esse sentimento ao máximo, mas chegou um momento que não conseguia mais guardar as sensações somente para si, sentia que ia explodir a qualquer momento, e apesar do medo de receber um não sentia-se seguro para abrir-se para Olívia, contar tudo o que sentia, esperava ser compreendido, mas se não fosse tinha a certeza que não a perderia como amiga.
Numa quinta feira nebulosa ele se declarou, ela o olhou e disse:
- As coisas poderiam ser diferentes se você não estivesse preocupado com seu trabalho de filosofia; se não errasse o caminho. As coisas seriam muito diferentes se você simplesmente deixasse seus livros para trás. No momento em que te vi, senti algo em você, sei que pode parecer bobagem, mas sou aquela pessoa que acredita em destino, de que nada aconteceu por coincidência naquele dia, e muito ao contrário de você eu prestei atenção àquele momento, me senti bem e mal ao mesmo tempo quando deu pela falta do meu livro, esperava, sem muitas esperanças que você me procurasse pra devolvê-lo. Você não entende? Meu coração acelera por você desde o nosso primeiro almoço...
Olívia não precisou dizer mais nada, no mesmo segundo as bocas se uniram, a declaração continuou, só que agora com palavras mudas.



Pauta para o Once up a time.
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3° lugar

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Eu desejo, eu desejo de todo o coração...


Despertador toca, hora de sair do mundo dos sonhos, tomar um banho, entrar completamente na realidade, ir pra escola, absolver conhecimento, pelo menos essa é a ideia, voltar pra casa e entrar novamente no mundo dos sonhos.
Rotina, esse é o nome que procuro.
Passo a semana todo nesse vegetar, acordar, estudar, dormir, e ao final de cinco longos dias, chega o tão merecido descanso, será mesmo?
Fazer lição e trabalho, parece que na minha orbita há apenas estudos.
Nesse momento eu não quero nada a não ser voltar a infância, voltar pros dias sem hora pra acordar, sem nada pra fazer, em que a minha maior preocupação era perder meu desenho favorito porque tinha que ir pra casa dos meus avós.
É olhando pra esse passado tão distante, mas tão presente em mim, que quero voltar a ser criança, a brincar de roda e a ganhar presente no dia das crianças (:

Para o Once upon a time.