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terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Com gosto de capuccino IV



Com gosto de capuccino I
Com gosto de capuccino II
Com gosto de capuccino III

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O tempo passou e ela não registrou nada do que aconteceu em seu livro. Momentos bons, maravilhosos aconteceram com ela, amigos impressionantes entraram na sua vida, sem ter conhecimento de seus reais sentimentos, porém momentos ruins também vieram, não tão fortes como antes, ela está mais do que equilibrada. Ela está pendendo pro lado bom das coisas.
Decidiu que o livro será ficção, não colocará sentimentos reais e pessoais nele, caso queira jogá-lo para longe de sua vida de novo, ele será apenas um passatempo para um qualquer. Porém a criatividade falta tanto pra ficção como pra realidade, ela lê, desde literatura russa até revistas adolescentes, e tudo que lhe vem à mente é justamente o que não quer escrever. Ela quer escrever sobre ele e sua capacidade de fazê-la rir, sobre o que ele diz e sobre o que ela gostaria de ouvir dele.
Mas ela não irá escrever sobre ele, não criará ilusões apenas pra machucá-la mais tarde quando a verdade ficar evidente e tudo não passar apenas da vida ideal, que nunca existirá.
Enquanto isso ela continua sem criatividade, o livro continua no armário e ele continua vivendo sem se importar com os sentimentos reprimidos dela.
Enquanto isso as estações caminham.

domingo, 18 de outubro de 2009

Com gosto de capuccino III


Com gosto de capuccino I
Com gosto de capuccino II
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"Você vai se sair bem, você vai se sair bem...". Isso é tudo que ela consegue pensar, mas não tem essa segurança, não depois de jogar seu ultimo conforto pelos ares, nunca mais irá encontrar seu livro, mas ela não se ressente, não mais, foi uma escolha dela, ela tem que aceitar, tem que parar de pensar nas extremidades. Sempre desejava ou voar, ou deitar...não pode aceitar apenas ficar de pé? Aceitar a vida como lhe é dada.
Agora que não precisa mais completar páginas vazias, agora que não precisa viver pra sentir e escrever, ela pode apenas existir.
Ela está apenas existindo, em seu MP4 a opção acaso é que comanda, misturando ritmos, letras e sentimentos, pra ela não importa a ordem, ela apenas assiste, apenas ouve, mas não opina, não participa.
A vida é bem mais simples quando se vive ao acaso, ela percebe isso agora. Enquanto percebe tudo isso ela anda para casa, agora ela tem um destino, uma certeza. Ela tropeça em algo, nem pode acreditar no que vê.
Há males que vem pra bem.

domingo, 20 de setembro de 2009

Com gosto de capuccino II



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Ela escreve sobre a sua vida, sobre os seus sentimentos no momento, e assim que completa a folha percebe que não sente mais nada disso. Ela não quer mais se deitar no asfalto, não quer ver o mundo de baixo, ela quer voar e se sentir livre.
Na poesia do concreto ela vê os grandes edifícios, ela os vê rasgando o céu, escolhe o mais alto e sobe...lá ela vê o mundo de cima, nem consegue acreditar em como tudo é grande e cinza.
Ela consegue tocar os aviões, basta erguer os braços; uma nuvem vem e à engloba, parece uma leve garoa em seu rosto, ela sente uma sincronia que só existe entre ela e o mundo. Ela imagina a poesia de concreto e vidro sob a luz do sol, só imagina, pois hoje está nublado, tanto por fora quanto por dentro.
Senta-se à beira do precípicio e observa a paisagem e então ela o vê...
Ele é aquele que os troianos o salvaram da morte e que os gregos retrataram como Zeus, ele olha pra cima, o único que anda sem encarar o chão, ele a vê, ela não pode acreditar, está muito acima da visão humana, mas ele a vê.
Ela levanta-se e observa pela última vez aquela visão do mundo e quando olha para baixo ele se foi, não existe mais, ela nem sequer pode acreditar, escreve sobre isso no seu livro e o joga.
O joga porque não vale mais a pena escrever a vida se ele não fizer parte desta, ela se vira e vê as escadas, é hora de descer para a realidade.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Com gosto de capuccino


Ela está em seu carro, olhando para o nada, e indo pra lugar algum, a paisagem passa por ela como um borrão, talvez seja essa a resposta que procura.

Em suas mãos está um livro silencioso, não é um dos romances de sua estante, em que ela mergulha pra viver uma ficçao momentânea, não, esse livro está em branco, porque é o seu livro. Ela tem que escrevê-lo, mas não sabe como.

Tudo em que consegue pensar é que quer se deitar no asfalto, quer sentir o vento que os carros às altas velocidades trazem, ela quer sentir algo.

Ela quer se sentir querida.

Se sentir viva, ela precisa entender o que é viver. Ela abre seu livro e escreve.