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quinta-feira, 23 de setembro de 2010

É primavera.


O vento passa com uma pressa inintendível, jogando flores amarelas e rosas das árvores no asfalto cinza e frio. Faz calor e pássaros cantam junto com os motores dos carros. Caminho no meio disso tudo com nada em minha mente, nenhum problema, nenhum romance e nenhuma lembrança.
O inverno se foi, parecia nunca ter fim; apesar de longo, foi bom, mesmo com os problemas que me fizeram chorar no meio da noite várias vezes e de achar que estava apaixonada.

Músicas, pessoas e ideias novas invadiram meu cotidiano. Risos na frente do computador, nas madrugadas de sábado, ou até mesmo aquela discussão inútil com o meu romance de estação, que me fez pensar e xingar o mundo por uns três dias, tudo isso foi bom.
O inverno prometeu muito. Não cumpriu, mas deixou as coisas ajeitadas, tudo organizado e etiquetado. Agora chegou a primavera, não espero por nada dela, mas sinto que tudo irá mudar, pra melhor. Afinal, já está tudo encaixotado.

Afinal, é primavera.

terça-feira, 4 de maio de 2010

O mundo para, a vida continua.


As horas passam, não em seu ritmo normal...na verdade há dois ritmos nas horas hoje, elas correm como a música que faz as paredes pulsar, porém se arrastam entre os intervalos de luz e escuridão. Sim, essas horas são eternas.

São nessas horas eternas que ela o vê pela primeira vez, ele a vê pela terceira, tudo foge de sua mente, tudo vem à mente dele. Ela nem acredita que ele está sorrindo e se aproximando, ele nem acredita que ela está finalmente sozinha e que lhe sorri. As horas param...na verdade continuam em seu ritmo confuso, mas para aqueles dois não importa, nem o lugar e nem ninguém. Só importa eles; os olhos permanecem fechados, não querem ver a realidade ao redor, e não precisam se fitar para guardar na memória, ambos sabem que o mundo é sensações, então melhor sentir do que perder tempo observando.

Ao final da eternidade, ou do instante, eles se separam. Os amigos dela o chamarão de Principe Escondido, os amigos dele a chamarão de Mais Uma; eles não se rotularão, apenas guardarão as sensações, cheiros, toques e gostos.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Um pouco de história

Houve uma época em que eu morava no 8° andar de um condominio de prédios em Guarulhos, na esquina existia uma padaria e mais perto ainda uma farmácia, na avenida dois quarterões pra baixo havia um super locadora, você entrava e era um grande salão cheio de estantes com VHS e no fim havia duas escadas que levavam pro segundo andar, que, não importava o lado em que você estivesse tinha uma magnífica visão do andar de baixo, e que também estava abarrotado de VHS's. Se eu não me engano chamava-se Roma, ou algum outro nome de cidade européia.
Na minha escola havia um muro, que separava a casinha do último pré e da primeira série do prédio das séries maiores, nessa casinha haviam seis fileiras de carteiras, três pra primeira série e três pro pré e uma só professora. Toda quarta era dia da "roupa diferente" e toda sexta "dia do brinquedo"; um ou dois dias por semana uma van ia me buscar antes do fim da aula e me levava à academia onde eu fazia aulas de natação, lembro do cheiro da recepção e da área das piscinas. Do pátio da casinha em que eu estudava havia um muro alto que separava a escola da casa vizinha, onde morava um dos meninos que estudavam comigo, sempre que ele esquecia alguma coisa a avó dele o chamava e jogava o que ele havia esquecido, uma vez vi a escola por aquele ângulo, quando passei uma tarde naquela casa e a mesma avó tocou acordeão pra mim.
Na esquina na frente da padaria perto do meu prédio havia outro prédio, onde minha amiga morava, na cobertura, e minha mãe, as vezes, quando ia me buscar na escola também pegava minha amiga e passávamos a tarde inteiras juntas no apartamento dela.
Do parquinho do meu condomínio conseguia ver a minha sacada e minha mãe sempre pedia pra eu gritar quando descesse pra brincar, pra ela saber que eu cheguei, mas poucas precisei fazer isso, pois ela sempre estava lá me esperando, na mesma sacada que eu deixava cair tantas coisas que se perderam pra sempre.
Havia algumas coisas muito especiais no meu apartamento, como o sofá cinza que tinha uma mancha de refrigerante de laranja; a mesa da cozinha que era embutida no armário e podia ser empurrada pra dentro do mesmo; e a lavanderia que tinha uma porta de vidro que eu fechava e brincava de nave espacial, pois lá era tudo branco e tão claro, e eu adorava aquele lugar, simplesmente.
E então eu me mudei.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Uma dose de amizade.



Anna estava de férias e isso para ela significava temporada na casa dos avós. Era tempo de fazer as malas, pegar os livros, o mp3, o computador e os tênis de corrida, principalmente estes. Já estava sonhando à alguns meses com as corridas matinais no Trianon.
Pegou o ônibus das seis da manhã na pequena cidade em que vivia, não via a hora de chegar naquele apartamento aconchegante, com o sofá mais macio e com o melhor efeito sonífero que conhecia, era tudo que ela precisava, paz, e aquele ambiente pedia por paz de espírito. Precisa limpar aquele ano da mente - a escola, os amores, os pais realmente tinham sobrecarregado-a e ela sabia que merecia aquelas férias.
Assim que desceu do ônibus viu seus avós esperando na plataforma, ela correu e deu um abraço apertado em cada um, havia uma ligação muito grande entre eles, talvez inexplicável, era mais do que laços sanguíneos
Eles a ajudaram a pegar as bagagens e levar pro carro, no caminho se atualizaram das novidades nas duas cidades.
Anna arrumou suas coisas no seu quarto, e foi dar uma volta pela Paulista, ela não conseguia explicar como aquela avenida movimentada e barulhenta fazia bem pra sua alma, simplesmente fazia.
À noite os avós informaram que precisariam visitar uma prima no interior, ela pediu pra ficar, coisa que eles aceitaram sem discutir, então se despediram no mesmo dia que se reencontraram e ela foi dormir; ouviu de madrugada quando eles saíram tentando não fazer barulho e discutindo se deveriam deixar o gás fechado ou não, voltou a dormir automaticamente.
O celular despertou às seis e meia da manhã, ela levantou, tomou café da manhã, colocou os tênis. Chegando no Trianon fez o alongamento, ligou o mp3 e sentiu a batida da música estilo praia, sorriu e começou a correr, ela teve a sensação de não estar em São Paulo, mesmo que a mais importante avenida da cidade estivesse ali do lado, aquele parque era um universo paralelo, era outro mundo, lá não havia a correria, o estresse, a polução, nada disso.

Voltou pro apartamento, tomou um banho e ficou lendo naquele sofá maravilhoso. Depois do almoço desceu até uma galeria próxima pra ver se havia algum filme que lhe interessasse no cinema. Não. Mas assim mesmo comprou a entrada pra uma comédia romântica que diziam ser boa. Saiu, duas horas depois, decepcionada; novamente o casal passava por todos os tipos de provações e tinham todos os motivos pra não ficarem juntos, mas no último minuto tudo deu certo, ela sabia que se fosse realidade o filme terminaria no meio, quando os dois houvessem desistido. Voltou pra casa e dormiu, no outro dia seria a mesma coisa. O celular novamente tocou as seis e meia da manhã, mas dessa vez era uma ligação. Era Pedro.
- Você não sabe que as pessoas dormem a essa hora?
- Querida, você está na cidade que nunca dorme. Te vi saindo ontem da galeria, bora correr?
- Te encontro daqui dez minutos?
- Pode apostar.

Quando chegou no parque ela não foi direto pra pista, foi para o parquinho. Ele já estava lá, descendo no escorregador com um menininho no colo, ele estava muito diferente do que ela se lembrava, mais alto, mais moreno, o cabelo estava mais curto, mas os olhos continuavam iguais, escuros como uma tempestade de verão. Ela acenou pra ele, que se despediu do menininho e correu pra abraça-la.
- Meu Deus, você mudou demais AnnaBanana.
- E você acha que não mudou?
- Não viemos aqui pra conversar, teremos tempo para isso depois, vamos correr, você vai perder feio de mim caipira, corro aqui todo final de semana.
- Pode apostar que não.
E lá foram eles, dessa vez a trilha sonora era rock gaúcho, pra vencer ele Anna sabia que precisava de um impulso a mais, e a música faria isso. Deram duas voltas inteiras no parque e ela acabou vencendo.
- E é assim que uma paulistana vence a corrida.
- Mas a paulistana em questão esquece que quem ganha paga o almoço.
- Não esqueci nada, fazemos isso a três anos e toda vez sou eu que pago o almoço, como não lembrar disso?

Pedro sorriu, Anna sorriu e foram pro apartamento, lá pediram uma pizza e ficaram conversando a tarde toda. Relembraram a infância juntos, todas as festas a fantasia em que foram, os aniversários, as férias e falaram sobre a separação. Nunca haviam realmente conversado sobre isso, e parecia que aquele seria o momento. Quando Anna foi embora da capital Pedro falou um monte de besteiras, sobre ela estar abandonando ele e jurou nunca mais falar com ela; então seis meses depois, numa tarde chuvosa Anna atendeu o telefone e ouviu a voz que reconheceria em qualquer parte do mundo, em qualquer situação. Foi assim que voltaram a se falar e se encontrar todas as férias pra correr. 
Depois dessa volta à história deles, eles contaram os últimos acontecimentos, os que ainda não tinham conversado pela internet. Anna contou que precisava de paz e desabafou tudo pra ele, o modo como se sentia depois de cada dia na escola, sobre sua paixão que não deu certo, sobre os pais, contou o quanto sofreu com tudo aquilo. Pedro ouviu tudo e quando ela terminou de contar, com o rosto todo molhado de lágrimas ele a abraçou e disse que tudo ficaria bem, afinal, ele estava lá e não iria abandoná-la. Eles mudaram de assunto.
Não importava a situação em que estivessem eles estariam juntos, esse era o pacto deles, porque a amizade e cumplicidade que existia entre eles era maior do que os anos e os quilômetros.
A amizade deles havia perdurado os anos, a distância e as palavras. E estava apenas recomeçando.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

A good year

Dois mil e nove está chegando ao fim, e merece retrospectiva.


Primeiro dia do ano e lá estava eu na Sandra jogando Estalo com a minha nova promessa de virada de ano à ser cumprida: Fazer desse ano um dos melhores da minha vida. E consegui ^.^
A recepção dos bixos, o novo 2°A, a Cris, a volta pra casa com o Fer nos elefantes coloridos, o CNA, as tardes na cidade ou na pracinha com a Vivi, os finais de semana com as meninas, as conversas com a Larie e a Josie, o trabalho social, meu aniversário, o da Josie, da Lari, da Vivi, do Dan e da Fer (o presente especial dela), o vestibulinho, as férias, Curitiba, a gripe suína que fez acontecer as férias 2.0, a Maria, o técnico.







Tá, vamos respirar um pouco, o técnico...quando todo mundo me avisava que seria cansativo, puxado e blábláblá eu levava numa boa, pra mim todos os dias pareciam o primeiro dia de aula, as pessoas que conheci já são tão especiais pra mim e de um jeito único; foi nessa parte do ano que eu aprendi A frase do ano, que até hoje não sei como consigui viver sem: "Ow, cê bóia?".
A volta pra casa com o Dan, Jé Way e Carlinha. 
O P.A., todo o trabalho, briga, correria e nervoso que foi pra deixar pronto; toda a expectativa, animação e emoção da primeira apresentação; toda a felicidade de vê-lo finalizado e perfeito - nada menos do que o esperado para o 2°A.
"2°A nóis é foda pra caraio"



O churrasco 2°A, a estadia na casa da Vivi...e férias novamente.

Esse ano foi foda, realmente. Aprendi a conhecer as pessoas pra confiar e como recompensa conheci muitas pessoas dignas de confiança.
E resumindo bem esse ano sem uma ordem cronológica perfeita nesse texto, venho agradecer a todos e tudo que fizeram desse meu ano um dos melhores da minha vida.


Agradecimentos: Fer, Vivi, Cris, Maria, Jessicão, Jé Way, Carlinha, Larie, Josie, Lari, Bruna, Flávia, Louise, Lê, Dan, Thomas, Fernando e Fê.

sábado, 21 de novembro de 2009

Basta fechar os olhos.




E nesses dias eu sinto uma necessidade de classicismo, de retrô, preciso ter em mente que o mundo não muda num intervalo de dezesseis anos, ou minutos. Preciso que tudo continue a ser como sempre foi.
Mas não é assim que funciona, tudo muda, e eu perco o controle sobre isso, as pessoas vão e vem na minha vida, as amizades surgem e desaparecem na mesma velocidade. Isso é errado, amizades verdadeiras deveriam demorar um pouco mais pra se solidificar, e um pouco mais para perecerem. Mas o mundo muda, ele gira, não importa o quanto eu implore pelo contrário. Ele gira, e muito rápido.
Enquanto eu quero sentar e admirar a paisagem, pessoas nem sabem o que é paisagem. Enquanto eu quero paz, elas querem agito. Mas o que acontecerá quando elas pararem? Quando perceberem que tudo mudou e elas não conseguiram acompanhar?
Talvez elas não parem, apenas continuem vivendo de olhos fechados, nos seus mundos individualista e egoísta.
Eu tento ser altruísta, mas esse mundo, essas pessoas, estão me envenenando.

domingo, 15 de novembro de 2009

Até que a morte os separe.



1968. Mais um casal de namorados estava se casando, jurando seu amor perante todos seus amigos, e Deus. Um mais novo casal na cidade de São Paulo.
Almir e Ruth viveram felizes durante 34 anos, sem nunca terem problemas. Foi quando ele passou mal, foram ao médico e depois de muitos exames este declarou que era uma doença muito grave e que Almir não viveria para o próximo ano. Aos poucos ele foi piorando, até não ter forças pra sair de cama, e assim, a cada ano o discurso era repetido pelo médico, durante 7 anos.
Até que o discurso se fez verdade. Almir foi hospitalizado, Ruth ficou ao seu lado todo o tempo, como havia jurado, na saúde e na doença.
- Não fique triste por mim - disse Almir - quero que saiba que aquela foi a melhor época da minha vida, quando você disse sim na igreja, você foi a melhor época da minha vida. A partir do nosso encontro você passou a ser a melhor coisa na minha vida, esses ultimos 41 anos foram os melhores da minha vida.

Ruth o beijou, do mesmo jeito que se beijavem a 41 anos, do mesmo jeito que se beijaram quando o primeiro filho nasceu, do mesmo jeito que se beijaram quando o segundo filho morreu com apenas alguns dias de vida. Eles se beijaram do mesmo jeito do primeiro beijo, quando o irmão de Almir foi atender a porta e eles rapidamente encostaram seus lábios.
Enquanto ela se lembrava de tudo isso, estavam abaixando o caixão de seu marido para a cova, ela sentiu o desespero subir do seu peito até irromper num grito, num pedido para que todos parassem o que estavam fazendo.
Mas era tarde, a primeira pá de terra havia sido atirada.

Descanse em paz, Seu Almir.


Pauta para o OUAT
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2° lugar

domingo, 11 de outubro de 2009

Fazer sentido.


Se importar, não se importar, se importar demais. É assim que sou com as pessoas ao meu redor. Me importo com você e assim sou sua amiga  e converso normalmente com você. Não me importo e assim não falo com você, só quando é estritamente necessário. Me importo demais com você assim acabo falando menos e ignorando mais do que se eu não me importasse com você.
E isso é uma coisa que não consigo mudar, assim, quanto mais eu gosto da pessoa, menos eu falo, é instintivo.
Mas finalmente conheci uma pessoa que me fez mudar essa hierarquia, ele é um dos que mais me importa agora, e um dos que eu mais converso, contrariando todo o meu sistema psicológico.
E deve haver algum significado isso, mas é preciso tempo pra compreender essas coisas, então, sentarei e esperarei fazer sentido toda essa mudança.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Talvez, apenas talvez


'Talvez o tempo mude suas ideias e você comece a me ver com outros olhos', mas talvez isso seja muita responsabilidade pro tempo, essa porcaria de tempo.
Percebam que ele nunca está do nosso lado, quando você quer que aquela aula chata acabe logo, com certeza será a aula mais longa da sua vida, e quando você quer que ele pare pra que você possa abraçar aquela pessoa pra todo o sempre, ele corre. Talvez o tempo seja meio traumatizado, como ele não conseguiu aproveitar os bons momentos não quer que ninguem aproveite também, tá isso foi meio insano, mas pode ser, por que não?
Foi pensando nisso que fiz um pacto com ele, não procuro os momentos em que ele tem que parar e ele não passa a andar devagar, porque os momentos bons podem chegar a mim sozinhos, já ele não terá motivos pra ir devagar, talvez ele não tenha entendido esse plano, por isso aceitou o pacto, ou talvez tenha e eu esteja me enganando, mas tudo bem, desde que ele passe da mesma forma pra mim e pra você, pois assim poderemos nos encontrar no mesmo tempo, dai não precisarei esperar por toda a vida.

Pra você, que faz o meu tempo voar ♥