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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Sunflowers on the wall

Um novo ano começou, 2011 com o ar carregado de surpresas e expectativa chegou para trazer mudanças. E eu fiquei sem inspiração, o que acontece sempre que estou sob pressão, ou com medo do que está por vir.
Datas “importantes” se passaram e eu quase não as notei, sinais que antes me fariam sonhar acordada, interpretei como tristes coincidências. E o futuro, tive medo de pensar nisso.
                                      
Apenas nada de interessante aconteceu para ser retratado ficcionalmente, nem tive tempo para fantasiar histórias. Esse mês eu vivi pra mim, fui egoísta sim, mas com isso tive tempo de pensar e decidir o que queria, decidir meu futuro e minhas prioridades. Posso dizer que esse pedaço do verão me tornou mais mulher. Tenho meu ponto de vista e meus objetivos, talvez não saiba como alcançá-los e provavelmente não descubra pelo caminho, mas sei que chegarei lá. Tenho certeza disso.

Inspiração? Essa chegou. Um pequeno detalhe em um livro, a personificação do amor vivido entre as personagens principais. Girassóis na parede. Um para cada momento que passaram juntos. Talvez uma informação inútil em meio a toda a história, mas com certeza o momento em que parei e percebi o amor. Aquele amor puro, sem idealizações, o amor proibido, porém inocente. O amor retratado pelos mais românticos, onde o mais importante é o menor detalhe, o amor que a pessoa que mais tenta não sentir, sente.

Esse amor é unilateral, impossível de se compartilhar, mas fácil de esconder quando a pessoa toma o cuidado de mentir, culpar o outro e demonstrar que ama menos o amor que só ela sente.

Tenho pena de saber que ele planta girassóis sozinho, em pequenos vasos, já que não estou lá para ajudá-lo a colocar as pequenas flores na parede. Estou ocupada vivendo, enquanto ele diz viver, mas apenas rega os vasos e olha pela janela do quarto secreto, onde esconde esse amor que diz não ter.

Desculpe, mas preciso de foco nesse novo ano e não posso visitar seu quarto, nem cuidar de umas flores em minha casa. Tenho minha própria parede com flores, com o amor narcisista que tenho cultivado nesses últimos três meses. E isso me ocupa todo o tempo. 

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Medo, estação e filmes de terror.


Uma caneca cheia de café, aquela blusa larga e quente da minha mãe. É assim que minha quarta-feira começa. Não faz sol, o vento é gelado e puro. Esse clima me faz bem, me faz relaxar e querer ficar sozinha. Aquela solidão boa que tanto procuro.
Adoro o final das estações, quando elas se revoltam para as pessoas perceberem que elas ainda não foram, pra avisarem que ainda não é verão.

O café está forte, quente porém não muito doce. Sento em minha sala e observo a rua. Como quero sair por aí, correndo, sentindo este vento gelado no rosto, com o cabelo voando e batendo no meu rosto. Sentir o fim de estação, dizer que sei que ainda não é verão. Mas tenho medo.

Tenho medo de sair, olhar pro céu e ver uma lua de filme de terror. E me lembrar de você, fugindo do clichê, fugindo do mundo comigo, me abraçando e dizendo que a lua está linda, como...como num filme de terror.

Tenho medo de me dar conta que ainda não te esqueci, que quando não tenho nada pra fazer pego minha caneca com café e lembro daquele dia. E me pegar rindo sozinha quando lembro do frio que senti quando te encontrei. E não era frio de fim de estação.

Tenho medo de saber que frio era esse.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

A morte.



Hoje não é um bom dia pra morrer, o sol está radiante, o céu azul e o vento, este passa constantemente. O dia está para viver. Mas esse vazio me persegue e me pergunto, quando será um bom dia? Somos nós que decidimos? E como será que morremos?


Será a Morte universal, com seu manto preto e sua foice? Não parece a roupa certa pra essa cidade, esse país. Talvez a Morte não exista, exista apenas o morrer. Criamos a imagem de uma pessoa pra esse verbo, porque não podemos morrer por palavras. Talvez cada um tenha a sua Morte, pra mim ela pode ser alta, magra, com as unhas vermelho negro. 


Talvez morrer seja relativo e não tenha melhor hora. Talvez o verdadeiro morrer seja quando você sobrevive. Quando seu coração bate forte antes do primeiro beijo, talvez essa seja a melhor hora pra morrer, quando por alguns segundos nada passa em sua mente. Daí o verbo ou a sua Morte ou a Morte universal te mata, te puxa delicadamente pelo braço, com suas unhas vermelho negro. Ou talvez bruscamente. Ou simplesmente te passe uma rasteira. Pra você conseguir se erguer, se esquivar. Se preparar pra quando não sobreviver. 


Mas de um jeito ou de outro, por imagens, pessoas, momentos ou palavras, você morre. Mais do que espera, mais do que todos dizem. Você morre pra sobreviver. Ou pra realmente morrer.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Vinte e três.


O despertador tocou. Ainda com os olhos fechados senti um calafrio e a data que esse dia representava me veio a mente, como uma pedra caindo no abismo. Rápida e doloridamente. Voltei a dormir.


Esse dia não iria existir.

Mas tive que levantar, fazer esse dia existir. Levantei, me vesti e sai. Enquanto passava pelas janelas das casas daquela ruazinha deserta vi meu reflexo. Era a mesma roupa. Me odiei por segundos, eu queria bloquear qualquer lembrança daquele dia, e usar a mesma roupa não ajudava muito; aumentei o som dos fones de ouvidos. Ensurdecer minha memória, essa era a meta.

Ninguém lembrava. Ainda bem. Estavam todos preocupados com o final do ano, provas e física. E eu estava tentando entrar nessas preocupações banais e tirar minha vida pessoal da cabeça.

Cinco e cinquenta da tarde. Ônibus esperando. Falta de trânsito. Farol fechado. Corrida. Sorte. Boa tarde motorista. Ainda tem lugar do outro lado da roleta. Ele está do outro lado...ele está do outro lado. Fiquei paralisada, sem pensar nada pela primeira vez, um olhar perdido - ou desesperado. Um passo à frente, vamos Fernanda, ande!. Conversas, sorrisos, adeus, fim.


O dia era vinte e três. E fazia um mês.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Who cares?



Aquela calça jeans velha e surrada, aquele all star sujo e rasgado, aquele moletom escuro e confortável. O cabelo preso, o esmalte descascado e o rímel borrado. O vento forte, o sol quente, a rua deserta. Raiva, ódio, solidão, saudade.


E lá estou eu, andando simplesmente por andar, só pra não ficar em casa sozinha, com meus pensamentos sombrios. Enquanto eu ando perdida pela cidade não penso, não sinto e nada vejo. Por que mesmo estava chorando? Não lembro. Memória reprimida ou motivo banal? Nunca saberei. Apenas sei que nada importa. Preciso saber seguir o meu caminho, pisando nos espinhos que ali estiverem. São lições a serem aprendidas, emoções a serem guardadas.


Volto pra casa, tomo um banho, me maqueio, visto aquele vestido novo e meu salto mais alto, ligo pras minhas amigas e combino de sair. 
Já sou outra pessoa, totalmente diferente daquela de tarde, que andava sem rumo e desarrumada. Mas isso não importa.


Afinal, ninguém se importa.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Dan Novachi


Eu sinto falta de te ver toda manhã, indo pra fila do ônibus com o seu andar de passarela e suas roupas reformadas de brechós. Sinto falta do seu dom de me fazer ficar bem com um abraço. Sinto falta de deixar cartas pra estranhos nos ônibus. Sinto muita falta da sua presença quente enquanto eu durmo no caminho de volta pra casa. Sinto falta de quase morrer atravessando a rua.

Seu modo de andar rápido; de sempre me fazer tropeçar nos seus pés nada pequenos, sua mania de começar a dançar comigo no meio da rua, no meio da escola, no ponto de ônibus; tudo isso faz uma falta imensa.

Você sempre sabe como eu estou me sentindo sem que eu te fale. Você simplesmente sabe.

Outro dia, voltando pra casa, eu lembrei quando sentei com você no pátio. Você estava triste. Tinha prometido mudar, mas não conseguiu. E eu te disse que mudanças levam tempo, não podemos controlá-la, por mais que imploremos. Ela tem seu ritmo. Você me abraçou e disse que eu realmente te entendia.
Mas é você que me entende. Quando interpreta as cartas do tarô com a minha perspectiva de mundo, quando sabe o que eu sinto, quando me dá conselhos. E eu sei que estes são pro meu bem, por mais que eu me revolte, eu sei que você sabe do que preciso.

Difícil são as pessoas que encontram anjos em suas vidas. Você é meu anjo. Não desista de mim, nunca. Eu ainda sou aquela garota da matemática e dos livros, fã de Asne e Fantasma da Ópera, aquela que você insiste em dizer que é princesa.

Me desculpe. Eu te amo mais que tudo.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

É primavera.


O vento passa com uma pressa inintendível, jogando flores amarelas e rosas das árvores no asfalto cinza e frio. Faz calor e pássaros cantam junto com os motores dos carros. Caminho no meio disso tudo com nada em minha mente, nenhum problema, nenhum romance e nenhuma lembrança.
O inverno se foi, parecia nunca ter fim; apesar de longo, foi bom, mesmo com os problemas que me fizeram chorar no meio da noite várias vezes e de achar que estava apaixonada.

Músicas, pessoas e ideias novas invadiram meu cotidiano. Risos na frente do computador, nas madrugadas de sábado, ou até mesmo aquela discussão inútil com o meu romance de estação, que me fez pensar e xingar o mundo por uns três dias, tudo isso foi bom.
O inverno prometeu muito. Não cumpriu, mas deixou as coisas ajeitadas, tudo organizado e etiquetado. Agora chegou a primavera, não espero por nada dela, mas sinto que tudo irá mudar, pra melhor. Afinal, já está tudo encaixotado.

Afinal, é primavera.