Pages

sábado, 24 de julho de 2010

Confusão.



"Mais um dia", é só isso que ela consegue pensar logo que se levanta. Não é algo encorajador, muito menos positivo, é apenas sua realidade. Ontem foi dormir jurando não pensar nele, jurando ser apenas uma obsessão momentanêa, que iria passar quando o sol surgisse novamente; apesar de acreditar nisso, só tinha a certeza de que o sol surgiria no outro dia, do mesmo jeito que antes... quanto a lembrança constante dele em sua vida, não tinha tanta certeza.

O dia passa e junto com ele pequenos detalhes que as vezes só ela percebe, pequenas frases ou observações feitas por seus amigos, trazem ele à sua mente, com seu jeito estranho de ser, sua vida social e seus comentários estimulantes; e uma vez que pensa nisso, não consegue mais parar, e pouco a pouco, ao lembrar de seus momentos juntos e suas conversas, ela se apaixona novamente por ele, ou pela ideia deles juntos.

"Não estou apaixonada por ele. Não posso estar" é só isso que consegue pensar, mas logo percebe que não sabe como é se apaixonar e um medo a invade, o medo de que não perceba quando isso acontecer, e sofra...mais do que já sofre. Apesar de não sofrer. 

Nada nela faz sentido, ela é um imenso ponto de interrogação, nem mesmo consegue se entender, então se cala, sofre em silêncio, por que tudo isso é confuso demais pra ser explicado, pra procurar ajuda.

Quando a noite chega jura que ele não passa de uma obsessão, uma invenção de sua cabeça talvez e espera que no outro dia não se apaixone novamente. Mas o sol, ela tem certeza que irá nascer amanhã. É por isso que dorme menos triste.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Feliz dia do amigo (:

Amigo é aquele que te acorda só pra perguntar se pode passar o dia na sua casa; é aquele que te manda mensagem na madrugada com um "Bons sonhos Praisler",  que te liga no meio da aula e desliga, ou que faz você perder meia hora no corredor, enquanto conta do menino do ponto; é aquele que te leva pros jantares de família; que você conhece desde a 2° série, mesmo que não se lembre disso; aquele que come batata frita e dança Lady Gaga no ônibus com você; aquele que você nunca vê, ams sabe que sempre pode sequestra-lo; aquele que você encontra pra fazer merda; aquele que sabe como você se sente, mesmo que fique semanas sem falar com você; aquele que faz tudo igual você; aquele que te fala "porra, hoje é a terça sem palavrão. Fudeu!"; aquele que te seduz a matar aula pra assistir a abertura da copa; aquele que divide bebidas com você; aquele que te ajuda a entender o universo masculino em conversas de janela; aquele que não mostra o vídeo dele bêbado cantando sertanejo; aquele que fala basco; aquele que te confunde toda; aquele certinho da turma que te conta os bafons da escola; que faz uma cara de cu e começa a resmungar; é aquele que pede pra você rezar.

Amigo pode ser aquele que você não conhece, mas te deve uma coca; aquele que você encontra quando tá pra descer do ônibus; ou aquele que você só viu uma vez. Amigo é aquele que te chama de Fer, Ferzinha, Ferpinha, Ferpinga, Praisler, Fer 3, mas que também te chama de amiga.

Amigo é aquele Ser especial que faz parte dos melhores momentos da sua vida e que merecem uma "homenagem" beeem melhor que essa. :~

Enfim, os protagonistas disso tudo: Feeeeeeeeeer, Vivianne com 2 N's, Cris Hot-Girl, Maria Gêmea, D-A-N, Jéssicão, Larie (6', Josie Pernalonga, Fê da Fer, Tigaaaaaaaaaah, Jé Way, Cesar gordo Vinicius, Vini Big Cocozão, Téh, Thomas Petrauskas e Fan da Maria.

sábado, 10 de julho de 2010

Sinais, sorte e palavras.


17:17. 18:18. 20:20. E ninguém está pensando em mim.
Um, dois, três urubus. E não vou encontrar ninguém.
As portas estão todas trancadas.
Não adianta, meu trevo de quatro folhas se quebrou, o sal insiste em cair na minha mesa e gatos pretos adoram cruzar meus caminhos incertos.

Não é uma maré de azar, e sim um oceano constante, mas não nego que haja momentos de sorte, as vezes - quando o mar está calmo, o sol brilha e não há vento - momentos bons, pessoas boas chegam até mim, mas logo o vento insiste em passar e meu constante azar volta, e junto com o vento, as coisas boas se vão.

Porém já me acostumei com isso, não é algo novo, acreditem. Então não mais me importo de nunca estar feliz, de nunca estar com todos que quero, ou de querer quem não me quer. Virou rotina. Assim como prestar atenção na previsão do tempo. 
Quem sabe amanhã não haja vento e meu oceano fique calmo o dia todo?

-----------------------------------------------------------------------------
Crédito da super foto para Henrique Padovan Lira

sábado, 19 de junho de 2010

A roda da vida.


Ela tenta ser algo a mais, fazer algo fora do comum, já que a acusaram de sempre escrever sobre a rotina. Mas algo a bloqueia e a faz olhar pro horizonte, sem pensar nem ver nada.

Ela passa o dia de modo estranho, seu humor intercala entre muita felicidade, raiva, tristeza, melancolia e nada. A cada oportunidade que tem corre pro sol, mesmo que não esteja frio - como não está -, senta-se e espera a hora que tem que levantar, quase sempre com sua amiga ao lado, pra deitar no colo e admirar o céu mais azul que existe, esperando respostas.

Num desses momentos melancólicos ela percebe o que a bloqueia, o que a faz calar e olhar pra longe...ela tem medo, medo de que o que escreva não vire realidade, medo de expressar tudo o que tem guardado e quando isso deixar de ser somente dela, se perca no céu azul perfeito e ela fique sem sonhos, sem realidades, sem segredos.

E assim as pessoas não sabem o que sente de verdade, pois seus sentimentos quando expressos são confusos e misturados.
E mesmo não sabendo também o que sente, sabe tudo o que pensa, e lembra-se com perfeição da carta do tarô sendo virada por seu melhor amigo, e da voz confortável e segura dele ler a promessa da carta, de que todo esse ciclo terá começo, meio e fim. Pois, afinal, tudo está na roda da vida. 

A carta está na vida dela, e ela está na carta. Não se sabe quem entrou na vida de quem primeiro, mas essa promessa, essa carta, traz segurança pra pequena princesa, aquela que ainda mantem a realeza, os livros, a matemática e os sonhos de um príncipe perfeito, pra ela.

-------------------------------------------------------------------
Crédito da super foto para Henrique Padovan Lira

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Just smoke my cigarette and run


Os prédios, a cidade e as pessoas a sufocam. Poderia dizer que ela não vive, está apenas existindo, mas é mentira, essa é a época que está mais viva, apesar dos pesares.
Caminha todo dia de manhãzinha, com o vento gelado a bater no rosto observando o chão e encontrando pelo caminho coisas sem sentido, com história, ou simplesmente lixo; todo meio do dia deita no chão e observa o céu, no lugar em que ele é mais azul, as vezes sozinha, mas a maioria das vezes acompanhada, talvez da melhor companhia que possa existir no mundo, e ela sabe disso, por isso que valoriza ainda mais os dias em que não se deita solitária ao chão; e todo final de tarde algo novo vem a seu encontro.

São esses acontecimentos não esperados, nada planejados e muito bem observados que a fazem pensar que vale a pena viver, mesmo que no final do dia saiba mais da vida de estranhos do que da de alguns amigos, ou da dela própria. Mas só a sensação de saber que aquele moço de moletom azul - que já começou a faculdade de física e matemática, mas por algum motivo foi obrigado a abandonar - ainda não desistiu, mas sim sorri e diz que ano que vem vai estudar pra passar em engenharia elétrica e dessa vez finalizar os estudos; ou de saber que aquela senhora do cachecol branco conseguiu resolver seu problema com o celular e decidiu de qual cor será seu novo apartamento a faz feliz...por algum motivo essas pessoas sentaram ao seu lado nos ônibus, e lhe contaram essa parte da vida delas, talvez ela esqueça deles no dia seguinte, talvez escreva um texto sobre eles, talvez ainda os reencontrem, um formado em engenharia elétrica, outra feliz em seu apartamento, quem sabe pensando em pintá-lo novamente?

Assim passa o dia daquela garota que nesses últimos dias tem problemas demais na cabeça e o olhar muito distante, que tem problemas com o horário e que tem medo do futuro.

A noite chega, mas ela não quer dormir, quer apenas fugir, pois tudo ainda a sufoca. Fugir de sua vida que admite ser quase perfeita... porém quem pode negar que não há outra bem melhor a sua espera? 
Talvez ela precise correr e descobrir, mas ela tem medo do futuro. Como quase todo mundo.

-------------------------------------------------------------
Crédito da super foto de Henrique Padovan Lira

domingo, 30 de maio de 2010

Cartas, amor e chá.


"Guardo pra te dar
as cartas que eu não mando
Conto por contar
E deixo em algum canto"

Era apenas mais um dia frio de Junho, uma tarde silenciosa no pequeno apartamento do nono andar, Amélia estava sentada um sua poltrona favorita, apenas apreciando sua vista, quando ouviu um barulho no corredor e viu cartas entrarem por baixo de sua porta, levantou-se apenas pra tira-las do chão, sabia que eram apenas contas e anúncios, mas se surpreendeu ao encontrar um pacote pardo grosso, sem remetente. Voltou para sua poltrona e abriu-o, dentro haviam cartas, muitas delas, umas endereçadas à sua antiga casa, quando ainda era solteira e outras pro apartamento que comprou depois que enviuvou. Se assustou quando viu que o remetente destas era Jorge, seu primeiro namorado, aquele que fugira quando o pai dela o mandou pedi-la em casamento; junto das cartas havia um bilhete cor-de-rosa, escrito numa caligrafia feminina, Amélia leu-o primeiro.

"Amélia, sei que não nos conhecemos, mas sei de sua história, meu avô vivia contando-a pra mim. Chamo-me Juliana e sou neta de Jorge, sinto-lhe informar que ele morreu há duas semanas e ele me pediu pra lhe entregar as cartas que ele sempre escreveu pra senhora, mas nunca teve coragem de mandá-las. Desculpe se a importuno, só estou atendendo o último pedido de meu avô."

Ela respirou fundo e abriu a primeira carta, fora escrita um dia depois dele ter fugido, ele se culpava pela covardia que tivera, mas que não podia mais voltar, pois a magoara muito e não acreditava que ela o aceitaria de volta. "que tolo, eu o aceitaria sob qualquer circunstância"; as que se seguiram contava o dia a dia dele, as cartas tinham uma frequencia de mês pra mês, nos meses ruins havia mais de uma. Os anos foram se passando, nas cartas e na mente de Amélia, percebeu que ele esteve presente em sua vida o tempo todo, de longe.
O relógio marcou 21:21, ela abriu a última carta, nessa última ele se despedia.

"Querida Amélia,
                              Essa talvez seja a última carta que eu lhe escreva, pois meus filhos estão pra chegar e me levar pro hospital, sim, hospital. Tenho escondido de você nas últimas cartas, mas estou com câncer. Estava até pouco tempo controlando-o com remédios, mas deve saber como essa doença é, ela sempre encontra um jeito de continuar te envenenando e agora preciso fazer quimioterapia. Porém não se preocupe, não tenho medo...
                              Minto minha querida, eu tenho medo...pois o médico disse que posso perder a memória, e tenho medo disso realmente acontecer e eu te esquecer, esquecer das nossas tardes juntos na praça do seu bairro, dos jantares com a sua família. Fui um idiota por te abandonar, um idiota por escrever cartas que nunca mando, e agora a doença me atinge e o medo me domina. Mas já tomei uma decisão, lhe enviarei essas cartas, assim que sair daquele hospital; melhor, lhe entregarei pessoalmente. E assim, finalmente, poderei te rever e dizer o quanto fui tolo.

                                                                                                           Te amo minha querida, Jorge."

Ela terminou de ler a carta, seu coração martelou uma vez, duro, espremendo duas lágrimas quentes de seus olhos... não podia acreditar que ele a amara durante todos aqueles anos, se sua memória não falhava passara 52 anos desde a fuga dele.
Ambos construiram uma vida, uma família, tiveram seus problemas e suas felicidades, mas nunca se esqueceram um do outro.
Ela imaginou como sua vida poderia ter sido diferente se ele houvesse enviado a primeira carta, não conseguiu, sua cabeça doia por causa do choro conpulsivo. Levantou-se e foi pra cozinha, preparou um chá e voltou pra sua poltrona, olhando pra sua sacada o mundo parecia diferente agora, parecia que anos haviam transcorrido desde a hora que o carteiro passara.

Levantou-se e foi pra sacada, o vento estava forte e frio, mas ela não se importou, tomou um gole de chá e sussurou pra escuridão da cidade, pra lua cheia e pro vento apressado palavras tardias.

"Eu te amo, sempre te amei também."

----------------------------------------------------------------
Crédito da super foto de Henrique Padovan Lira

domingo, 23 de maio de 2010

Eu acredito em nós.


A neblina cobre toda a minha visão, mas o carro continua avançando e eu vou entrando nessa neblina, assim posso ver uma linda paisagem se formar em minha janela - que está fechada por causa do vento frio que passa rapidamente, assim como o carro - a montanha ao longe se mistura com as nuvens, que estão em um tom lilás acinzentado muito peculiar e único; e o Sol, este está nascendo, acrescentando um tom rosa alaranjado ao céu e às nuvens.
No acostamento da estrada eu observo o capim esbranquiçado passar rapidamente por mim - como se a Terra estivesse se movimentando, e não eu -, geou à noite, mesmo minha mãe falando que isso é impossível no Sudeste. 

Eu acredito nas coisas impossíveis, realmente acredito.

O dia está frio, sinto-o, talvez mais do que os outros, pois minhas duas blusas e poncho não estão me aquecendo o suficiente; todos estão espantados com isso, dizem não estar tão frio assim. Mas eu sei o que sinto, sobre tudo, e também sei o porquê.

O porque disso tudo. Do conhecimento da cor exata do céu, do reconhecimento da temperatura, da razão da minha playlist de reggae meloso. É ele. Foi ele que causou essa mudança em mim, com seu cabelo castanho e macio, seu olhar castanho e profundo, seu toque macio e quente, ele me tirou algo, mas também me trouxe outro. E pode parecer impossível, mas eu ainda o sinto aqui, do meu lado, me olhando de longe, me abraçando, sussurando em meu ouvido, e de alguma forma, de algum jeito estranho, eu o amo, mas não como amor.

Aceite isso que digo, pois como já falei, pode parecer impossível, mas eu também disse que acredito no impossível.

-----------------------------------------------------
Crédito da super foto de Henrique Padovan Lira